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Deezer criado por IA

A plataforma de streaming musical anunciou que cerca de 44% de todas as novas faixas submetidas ao seu serviço são atualmente geradas por sistemas de inteligência artificial. Segundo os dados oficiais revelados pela Deezer, a empresa recebe perto de 75 mil destas faixas diariamente, totalizando mais de dois milhões por mês.

Apesar do volume massivo de envios, o consumo real destas músicas pelos utilizadores continua baixo, representando apenas entre 1% a 3% do total de reproduções na plataforma. A empresa sublinha ainda que 85% destas audições são identificadas como fraudulentas e consequentemente desmonetizadas, minimizando o impacto financeiro.

O crescimento acelerado e as medidas de bloqueio

Os números mais recentes evidenciam um aumento contínuo no envio de conteúdos sintéticos para o serviço. A empresa reportou a receção de cerca de 60 mil faixas diárias em janeiro de 2026, um salto significativo face às 50 mil registadas em novembro e 30 mil em setembro do ano passado. Para enquadramento, em janeiro de 2025, quando lançou a sua ferramenta de deteção, o volume situava-se nas 10 mil submissões diárias.

Como forma de manter a qualidade do serviço, as músicas identificadas como sendo geradas artificialmente são automaticamente removidas das recomendações dos algoritmos e excluídas das listas de reprodução editoriais. Além disso, a plataforma confirmou que deixará de armazenar versões de alta resolução deste tipo de ficheiros. Durante o ano de 2025, o serviço marcou mais de 13,4 milhões de faixas no seu catálogo com recurso à sua tecnologia própria.

Alexis Lanternier, diretor executivo da empresa, destacou num comunicado oficial que o fenómeno deixou de ser marginal e apelou à união de toda a indústria para proteger os direitos dos artistas e promover a transparência para os fãs. O executivo garantiu que a tecnologia aplicada tem sido eficaz a reduzir a fraude e a diluição de pagamentos no streaming a um nível mínimo.

A perceção do público e a postura da concorrência

A atualização destes dados surge numa altura em que uma música sintética conseguiu alcançar o topo das tabelas do iTunes em mercados como os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, o Canadá e a Nova Zelândia. Um estudo conduzido pela própria empresa em novembro revelou que 97% dos participantes não conseguiram distinguir entre obras totalmente criadas por humanos e as geradas por máquinas.

A mesma pesquisa indicou que 52% dos inquiridos acreditam que este tipo de conteúdo não deveria partilhar as tabelas principais com produções humanas, enquanto 80% defendem a implementação de rótulos claros para informar devidamente os ouvintes do que estão a consumir.

O movimento em prol da transparência não é exclusivo desta plataforma. O serviço francês Qobuz também anunciou planos para identificar este formato no seu catálogo. Por outro lado, gigantes do setor como o Spotify e a Apple Music adotam abordagens ligeiramente diferentes, combinando a utilização de filtros para bloquear ficheiros de baixa qualidade com políticas de identificação que ficam frequentemente a cargo das editoras e distribuidores.

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