
A conhecida plataforma de áudio decidiu implementar uma nova marca de verificação para distinguir os criadores de conteúdo reais. Segundo informações partilhadas no comunicado oficial, a medida pretende atribuir um selo aos artistas que cumpram as políticas da empresa, mantenham um público consistente e possuam uma presença identificável dentro e fora da plataforma. O principal objetivo é travar uma dor de cabeça cada vez maior para a empresa e para os ouvintes: a invasão de música sintética.
O problema das bandas que não existem
O debate em torno da música artificial ganhou proporções massivas no ano passado, impulsionado por casos como o da banda de rock The Velvet Sundown. O grupo acumulou um milhão de reproduções antes de o público descobrir que tudo tinha sido gerado por algoritmos. O incidente causou indignação nas redes sociais entre os fãs que não conseguiram notar a diferença, mas a tendência continua a crescer.
Um inquérito recente da Deezer revelou que a esmagadora maioria das pessoas não consegue distinguir uma faixa gerada por inteligência artificial de uma canção escrita e interpretada por humanos. O mesmo estudo concluiu que 80% dos ouvintes desejam que este tipo de conteúdo seja claramente identificado, independentemente de serem a favor ou contra a sua utilização. Com esta nova iniciativa, o serviço de streaming cumpre as promessas feitas logo após o caso The Velvet Sundown, sublinhando que na era atual é mais importante do que nunca confiar na autenticidade do que se ouve.
O que muda para os ouvintes e concorrentes
A plataforma sueca não é a única a lidar com esta nova realidade. A Deezer referiu recentemente que 44% dos seus carregamentos diários eram faixas geradas artificialmente, tendo começado a marcar estes conteúdos há alguns meses. A Apple Music também iniciou uma rotulagem opcional em março, embora a sua eficácia seja incerta porque a decisão de aplicar a marca recai sobre o distribuidor.
O novo ícone de verificação verde claro começará a aparecer nas próximas semanas. O Spotify tem como meta verificar mais de 99% dos artistas que os utilizadores procuram ativamente na fase inicial de lançamento. A empresa nota ainda que, se não vires o selo num cantor de nicho que aprecias, isso não significa automaticamente que seja uma criação sintética. Para já, os perfis que representam principalmente artistas ou personas artificiais não são elegíveis para o selo, mas a plataforma admite que o conceito de autenticidade no panorama musical moderno é complexo e está a evoluir rapidamente, planeando ajustar a sua abordagem ao longo do tempo.












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