
A Bosch começou a testar veículos com capacidade de condução autónoma de Nível 3 em condições reais de tráfego na cidade de Wuxi, na China. Esta tecnologia permite que o automóvel assuma o controlo total da direção, aceleração e travagem em autoestradas, libertando o condutor da responsabilidade de manter os olhos na estrada ou as mãos no volante durante o trajeto.
A evolução tecnológica do Nível 3 e a inteligência artificial
O Nível 3 de condução autónoma diferencia-se das gerações anteriores por transferir a responsabilidade direta das manobras para o sistema do veículo. A tecnologia pode ser ativada em autoestradas desde que a velocidade não ultrapasse os 120 km/h e exista uma visibilidade mínima de 300 metros. Nestas condições, o sistema executa mudanças de faixa de rodagem e ajusta a marcha de forma independente, oferecendo um nível de conforto superior nas viagens.
A Bosch obteve a licença oficial para estes testes nas ruas de Wuxi há poucas semanas, utilizando uma solução baseada em sistemas de assistência à condução que já demonstraram eficácia no modelo Exeed ES do Grupo Chery. O sucesso destas operações apoia-se em avanços profundos na inteligência artificial, que superam os métodos de programação tradicionais.
Ao combinar inteligência artificial com uma arquitetura de segurança redundante em todos os módulos, a empresa assegura a máxima fiabilidade. Markus Heyn, membro do Conselho de Administração da Bosch e presidente da Bosch Mobility, reforça que a experiência global da empresa a posiciona como a aliada ideal para os fabricantes que procuram integrar o Nível 3 nos seus automóveis.
Um mercado estratégico impulsionado por novos sistemas de hardware
O mercado chinês continua a ser vital para a indústria automóvel mundial. Em 2025, o país foi responsável por mais de um terço da produção global de veículos, atingindo 34,5 milhões de unidades entre ligeiros e pesados. No último ano fiscal, a divisão de mobilidade da Bosch cresceu cerca de 5% nesta região, alcançando perto de 15 mil milhões de euros de faturação, com a maioria das receitas a provir das marcas locais. Stefan Hartung, presidente do Conselho de Administração da Bosch, destaca que num cenário cada vez mais dominado pelo software, a capacidade de fornecer soluções completas rapidamente é crucial.
A aposta da Bosch passa também por revolucionar os componentes mecânicos através de tecnologias em que os sinais eletrónicos substituem as ligações físicas tradicionais na direção e na travagem. O novo sistema hidráulico desenvolvido pela empresa integra dois circuitos de travagem independentes, combinando um atuador de travão recente com um sistema ESP convencional para garantir redundância e segurança.
A fabricante já assegurou contratos com cinco construtoras automóveis para fornecer esta tecnologia, cuja produção em série para veículos ligeiros arranca em meados de 2026. A expansão estende-se igualmente a várias plataformas de robotáxis com produção agendada para 2027. Em paralelo, a capacidade de inovação rápida da empresa ficou demonstrada com a Evasão Automática de Emergência, um sistema criado em parceria com um fabricante chinês e finalizado em apenas seis meses, capaz de coordenar direção e travões de forma autónoma para evitar colisões quando a simples travagem não é suficiente.












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