
Apesar do forte apoio do setor das criptomoedas durante a campanha eleitoral de 2024, a maioria dos norte-americanos questiona agora a capacidade de Donald Trump para regular esta indústria de forma imparcial. Uma nova sondagem revela que 62% dos eleitores não confiam na atual administração para gerir o setor, levantando preocupações sobre conflitos de interesses ao mais alto nível do governo.
A pesquisa, conduzida pela Public Opinion Strategies e divulgada pelo CoinDesk, inquiriu 1000 eleitores registados. Os dados mostram que 73% dos inquiridos opõem-se à ideia de altos funcionários do Estado deterem interesses comerciais em criptoativos, um sentimento partilhado até por 59% dos eleitores republicanos.
O peso dos negócios familiares na Casa Branca
Durante a campanha, Trump fez promessas concretas para atrair a indústria, incluindo a criação de uma reserva nacional de bitcoin e a garantia de que os EUA nunca venderiam os seus ativos digitais. Comprometeu-se também a promover a mineração em território nacional e a afastar Gary Gensler, o antigo presidente da SEC.
No entanto, as atenções viram-se agora para os lucros gerados pela própria família do presidente. Apenas em 2025, os negócios ligados às criptomoedas terão rendido cerca de 1,3 mil milhões de euros à família Trump, o que representa quase 20% da sua fortuna total. Estes ganhos provêm de projetos como a plataforma World Liberty Financial, vendas da memecoin TRUMP e operações de mineração. Curiosamente, a sondagem destaca que apenas 45% dos eleitores afirmaram ter conhecimento deste profundo envolvimento financeiro familiar na indústria.
Controvérsias e promessas por cumprir
As ligações de Trump ao setor têm gerado críticas que apontam para potenciais situações de corrupção. O perdão presidencial concedido a Changpeng Zhao, fundador da Binance, foi classificado por antigos responsáveis do Departamento de Justiça como uma manobra sem precedentes, especialmente considerando que a Binance detém cerca de 1,8 mil milhões de euros na stablecoin da World Liberty Financial.
Outros negócios levantaram questões semelhantes, como o investimento de 465 milhões de euros por parte de uma empresa ligada a Sheikh Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos. Após a assinatura do contrato por Eric Trump, a administração norte-americana reverteu restrições relativas à venda de chips avançados de inteligência artificial aos Emirados. O empresário Justin Sun também esteve no centro da polémica após adquirir grandes quantidades de tokens ligados à família, coincidindo com a resolução do seu processo na SEC.
Apesar destas movimentações milionárias e do foco na campanha, a prometida Clarity Act continua bloqueada no Congresso. Com as eleições intercalares de novembro a aproximar-se, os democratas pressionam para incluir medidas que proíbam os membros do governo de lucrar com criptomoedas durante o mandato, uma visão que a recente sondagem demonstra ser largamente apoiada pelos eleitores. Entretanto, vários projetos associados à família enfrentam turbulência, com a World Liberty Financial a ser alvo de processos judiciais e outras parcerias a registarem quedas abruptas no mercado de ações.












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