
Quem procura fugir da confusão das grandes cidades tem agora mais um motivo de peso para olhar para o interior de Portugal. Uma análise recente aos dados imobiliários revela que existem dezenas de concelhos no país onde a oferta de habitação é composta inteiramente por moradias, apresentando valores que chegam a ser 69% mais baixos em comparação com a média nacional, abrindo portas a quem pretende investir fora dos centros urbanos.
O domínio das moradias longe das metrópoles
A estrutura da habitação em território nacional está fortemente dividida consoante a geografia. Em mais de metade dos municípios portugueses, as moradias representam a esmagadora maioria da oferta imobiliária disponível. O destaque vai para 18 localidades onde não existe um único apartamento à venda nas plataformas de pesquisa, sendo o setor constituído exclusivamente por casas tradicionais.
Mesmo nos casos menos extremos, a discrepância é notória. Cerca de 94 concelhos apresentam uma taxa de moradias entre os 90% e 99%, consolidando a ideia de que a verticalização da habitação é um fenómeno quase exclusivo do litoral e dos grandes polos económicos.
Preços que refletem a realidade demográfica
Esta segmentação acentuada reflete-se diretamente na carteira de quem procura comprar casa. Nos municípios onde apenas se encontram moradias, o custo médio fixa-se nos 135 mil euros. Em contraste brutal, nos grandes centros urbanos, o mesmo tipo de habitação atinge valores médios de 649 mil euros, um salto impressionante que evidencia a enorme pressão da procura nas cidades.
Para quem tem um orçamento mais limitado, regiões como Castanheira de Pêra, Góis ou Fornos de Algodres apresentam oportunidades bastante atrativas, com os imóveis a rondarem valores médios entre os 67 mil e os 95 mil euros.
Espaços amplos para atrair famílias
Para além de serem mais económicas, as habitações disponíveis no interior destacam-se pelas suas grandes dimensões. Grande parte da oferta concentra-se em tipologias com quatro ou mais quartos, o que revela um mercado vocacionado para acomodar famílias numerosas, ao contrário dos centros urbanos onde predominam os apartamentos mais compactos.
A representante do Imovirtual, Sylvia Bozzo, sublinha que o panorama nacional está cada vez mais fragmentado e que a análise dos preços tem obrigatoriamente de ter em conta as particularidades de cada região. Este fenómeno de concentração de moradias acessíveis nota-se especialmente no Interior Norte, Alentejo e arquipélago dos Açores, zonas que têm enfrentado desafios populacionais, mas que reúnem agora fortes argumentos para atrair novos residentes.












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