
O setor do correio expresso e da logística de última milha em Portugal atravessa um período de forte turbulência. De acordo com os dados do barómetro da Consumers Trust Labs, as reclamações dos consumidores mais do que duplicaram em 2025, uma tendência negativa que se manteve inalterada no arranque de 2026, com um salto superior a 100% no primeiro trimestre face ao ano anterior.
Falhas logísticas dominam a insatisfação dos consumidores
O relatório detalha que a grande maioria dos problemas, cerca de 77%, prende-se com atrasos, falhas críticas na entrega e uma evidente falta de informação sobre o estado das encomendas. O mês de dezembro de 2025 foi particularmente caótico, concentrando quase metade das queixas anuais, o que demonstra a incapacidade de muitas redes logísticas em lidar com o pico de volume da época natalícia.
Segundo os dados analisados, empresas como a Ecoscooting Delivery e a Paack têm sentido dificuldades em gerir este crescimento operacional. Em sentido oposto, a ViaDireta surge como um exemplo de eficácia no mercado, apresentando uma taxa de solução que ronda os 99,5%, provando que a aposta na tecnologia e na comunicação clara faz a diferença.
A urgência de uma transformação no setor
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, este é um momento crítico onde a entrega deixou de ser apenas uma questão de transporte para se tornar um ativo reputacional. O barómetro aponta que a maioria das queixas provém de utilizadores entre os 25 e os 44 anos, localizados sobretudo nos grandes centros urbanos como Lisboa, Porto e Setúbal.
O setor enfrenta agora o desafio de abandonar os modelos baseados puramente no baixo custo em favor de operações mais resilientes e transparentes. O futuro da logística nacional dependerá da capacidade das empresas em recuperar a confiança digital dos consumidores, através de sistemas mais avançados e focados na experiência final de quem espera pela sua encomenda.












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