
A Lime, conhecida empresa de micromobilidade cujas trotinetas e bicicletas elétricas verdes se tornaram uma presença habitual nas ruas de várias cidades, deu o passo oficial para entrar na bolsa de valores. A startup de alugueres, legalmente designada como Neutron Holdings, entregou a documentação para a sua Oferta Pública Inicial (IPO) à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), concretizando uma ambição que já tinha sido sinalizada em 2021.
De acordo com os dados revelados pela SEC, a empresa registou um crescimento impressionante nos últimos anos. As receitas passaram de cerca de 482 milhões de euros em 2023 para mais de 635 milhões em 2024, atingindo a fasquia dos 820 milhões de euros no final de 2025. O diretor executivo da empresa, Wayne Ting, destacou ainda na carta que acompanha o processo que a plataforma ultrapassou a marca histórica de mil milhões de viagens realizadas no ano passado, operando atualmente em cerca de 230 cidades espalhadas por 29 países.
O desafio da rentabilidade no setor
Apesar da expansão acelerada e do volume de utilização, a Lime continua a partilhar o grande problema dos seus rivais: sair do vermelho. Os documentos oficiais mostram que a empresa acumulou perdas líquidas de aproximadamente 54,8 milhões de euros em 2025. O arranque de 2026 não inverteu a tendência, com o primeiro trimestre a registar já um prejuízo superior a 56,7 milhões de euros.
A documentação entregue aos reguladores alerta os potenciais investidores para os fatores de risco associados à compra de ações, sublinhando o histórico de perdas e a incerteza quanto à capacidade de alcançar ou manter a rentabilidade no futuro. A entrada na bolsa procura captar o capital necessário para estabilizar as contas, num mercado onde a concorrência tem enfrentado dificuldades extremas, como exemplificado pelo percurso da Bird, que entrou na bolsa mas acabou por declarar falência em 2023.
Expansão contínua da frota
Fundada em 2017, a plataforma rapidamente captou a atenção e o investimento de gigantes como a Uber focando-se em disponibilizar alternativas para trajetos curtos em ambientes urbanos. A frota de veículos elétricos partilhados continua a ser uma das principais escolhas dos utilizadores para evitar o trânsito, embora a gestão do espaço público e o estacionamento abusivo permaneçam temas de debate constante entre a empresa e as autoridades municipais.












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