
O Irão está a planear assumir o controlo estratégico dos cabos submarinos de Internet que atravessam o estreito de Ormuz, uma zona vital sob o seu domínio. De acordo com informações avançadas pelo site Tom's Hardware, meios de comunicação ligados ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica sugerem que o país poderá começar a cobrar taxas pela utilização desta infraestrutura ou, no limite, recorrer ao sabotagem para prejudicar empresas ocidentais.
O plano para tributar o tráfego digital global
A proposta iraniana surge num momento de isolamento do país, que já ultrapassou as 1.000 horas sem acesso estável à rede global após conflitos com os EUA e Israel. Aproveitando a localização geográfica privilegiada, o governo de Teerão pretende implementar um sistema de gravames sobre os dados que circulam no estreito de Ormuz. Estima-se que, diariamente, passem por estes cabos transações financeiras e fluxos de informação avaliados em cerca de 10 biliões de dólares (aproximadamente 9,2 biliões de euros).
Este sistema de taxas funcionaria como uma portagem digital. O objetivo é converter uma vantagem militar e geográfica numa fonte de riqueza imediata, aproveitando o facto de o bloqueio do estreito já estar a afetar o transporte de mercadorias e a economia global há cerca de três meses.
Pressão sobre as gigantes tecnológicas e ameaça de sabotagem
Segundo a agência de notícias Tasnim, o plano divide-se em três frentes principais. A primeira envolve a criação de licenças obrigatórias para operadores estrangeiros, que teriam de pagar quantias elevadas pela renovação das mesmas. Em segundo lugar, empresas como a Amazon, a Microsoft e a Meta seriam forçadas a cumprir a legislação iraniana para que os seus serviços continuassem a operar através daquela rota. Por fim, Teerão pondera o controlo total e exclusivo da cablagem, permitindo apenas a utilização por entidades nacionais.
Embora o lucro seja a prioridade, meios como a Fars sugerem uma alternativa mais radical: o sabotagem física das infraestruturas. Esta ação poderia causar danos de centenas de milhões de euros às empresas norte-americanas. Contudo, esta estratégia é vista com cautela por especialistas, uma vez que o corte total dos cabos acabaria por isolar ainda mais as empresas locais, agravando a crise interna de conectividade que o país atravessa.












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