
O Unity é atualmente um dos motores gráficos mais populares na indústria dos videojogos, sendo a escolha de referência tanto para estúdios independentes como para grandes produções, incluindo sucessos focados em dispositivos móveis como o Genshin Impact, Honkai: Star Rail e Zenless Zone Zero. No entanto, o motor de código aberto Godot tem ganho cada vez mais terreno. Para colocar as duas ferramentas à prova, um programador decidiu desenvolver o exato mesmo jogo de terror em ambas as plataformas. O resultado da experiência foi partilhado num vídeo e, segundo os detalhes avançados pela PC Gamer, revelou surpresas consideráveis no campo dos gráficos e do desempenho.
O programador Thomas Grové utilizou o seu canal do YouTube para documentar todo o processo de desenvolvimento. A ideia central passava por criar vários cenários com uma personagem totalmente controlável, um sistema de câmaras dinâmico, físicas interativas e um shader personalizado. Com isto, procurou perceber as diferenças práticas entre a hegemonia do Unity, frequentemente associado ao ecossistema Windows e às ferramentas proprietárias, e a natureza livre do Godot, muitas vezes apelidado de o equivalente ao sistema operativo Linux no universo da criação de videojogos.
Diferenças extremas no tamanho e arranque
A primeira grande diferença notou-se logo nos requisitos de espaço das ferramentas. O motor Godot ocupou meros 164 MB, um valor insignificante quando comparado com os massivos 20,1 GB exigidos pela instalação do Unity. Esta enorme discrepância reflete-se também na velocidade de abertura dos programas. Enquanto a solução de código aberto demorou apenas 13 segundos a arrancar e estar pronta a usar, o rival comercial exigiu um minuto e vinte segundos de espera.
A compilação de código também apresentou um fosso evidente entre os dois mundos. O Godot processou os ficheiros de texto em apenas meio segundo, contra os longos 15 segundos do seu concorrente direto. Já na altura de exportar as compilações finais do jogo para testar, a vitória sorriu novamente ao motor aberto com uns impressionantes dois segundos, deixando para trás os quinze minutos necessários do outro lado. Ainda assim, existe um ponto positivo a favor do Unity nesta área específica, visto que este realiza uma otimização automática do tamanho final, obrigando a que essa gestão seja feita manualmente pelo utilizador no ecossistema Godot.
O impacto no grafismo e ferramentas de trabalho
No campo visual, os resultados contrariaram a ideia de que um motor mais leve e gratuito significa automaticamente gráficos piores. As cenas recriadas no Unity apresentaram tons bastante mais acinzentados e uma iluminação global muito mais básica, destacando-se positivamente apenas num tratamento de aliasing marginalmente superior. Por seu turno, a iluminação e a precisão do Godot revelaram-se muito superiores, contando ainda com a promessa da equipa responsável de que no futuro vão implementar integração nativa de Path Tracing.
No que diz respeito ao desempenho puro durante a jogabilidade, a métrica dos fotogramas por segundo mostrou-se algo repartida. O Unity chegou a registar cerca de 700 fotogramas por segundo contra 500 do adversário num dos cenários, essencialmente devido à sua menor complexidade e exigência gráfica nessa configuração específica. Noutras baterias de testes efetuadas, o Godot acabou também por levar a melhor nos números absolutos de fluidez.
Apesar de a conclusão apontar a alternativa de código aberto como a grande vencedora da experiência geral para um programador independente, o autor do projeto faz questão de reconhecer as virtudes do clássico. As ferramentas de trabalho e o pipeline gráfico continuam a ser muito mais maduros e robustos na solução do Unity, oferecendo ainda um melhor manuseamento de modelos tridimensionais e sistemas de animação complexos.












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