
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, determinou o restabelecimento do acesso à internet internacional no país, encerrando um bloqueio que se prolongava há quase três meses. A medida foi tomada após a validação do Comité Especial para a Gestão do Ciberespaço, que votou favoravelmente a reabertura da rede, com o intuito de reverter o isolamento digital em vigor desde o início do conflito armado com os Estados Unidos e Israel, iniciado a 28 de fevereiro.
De acordo com as informações avançadas pela agência IRNA, a diretiva presidencial instruiu o Ministério das Comunicações a repor a conectividade global para os moldes anteriores ao período de guerra. A implementação prática desta ordem arranca já esta terça-feira, marcando uma viragem significativa na gestão das comunicações do país. O próprio ministro das Comunicações, Sattar Hashemi, confirmou ao jornal Shargh que os procedimentos necessários para a reabertura da rede já se encontram em curso.
Impacto financeiro e contestação política
As restrições severas aplicadas à rede internacional trouxeram fortes prejuízos à estabilidade financeira interna. Segundo os dados partilhados por Hashemi, o corte total da ligação global gerava um custo diário de sensivelmente 30 milhões de dólares (cerca de 25,7 milhões de euros), afetando de forma direta cerca de 10 milhões de trabalhadores que dependem da economia digital para desempenhar as suas funções rotineiras.
Apesar dos claros benefícios económicos, a decisão do governo enfrentou oposição de alas conservadoras. Meios de comunicação alinhados com a Guarda Revolucionária do Irão, incluindo a agência Fars, contestaram a legitimidade do executivo para aplicar a medida. Esta fação sustenta que as limitações tinham sido impostas originalmente pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, defendendo que caberia estritamente a este órgão a revogação do decreto. Contudo, importa notar que o presidente acumula também as funções de chefe máximo do referido conselho de segurança.
Críticas às restrições e histórico de bloqueios
O debate em redor do acesso à rede global tornou-se um dos assuntos mais complexos da atualidade política iraniana, especialmente após meses de fortes barreiras que paralisaram o ecossistema de empresas tecnológicas e plataformas locais. À margem destas tensões, o vice-presidente Mohammad Reza Aref criticou as medidas punitivas generalizadas, classificando-as como decisões arbitrárias. Numa analogia direta, Aref referiu que desativar a rede por imperativos de segurança equivale a encerrar uma autoestrada inteira devido à infração cometida por um único condutor.
Com esta decisão, o país interrompe um ciclo de 88 dias consecutivos de apagão tecnológico internacional. Este cenário somou-se a um outro período de forte bloqueio, com a duração de quase três semanas, registado durante os protestos populares ocorridos em janeiro, nos quais foram emitidos fortes apelos contra a continuidade do regime em funções.












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