
Mira Murati, antiga diretora técnica da OpenAI e atual diretora executiva da Thinking Machines Lab, voltou a falar publicamente após cerca de um ano e meio de ausência mediática. Numa entrevista à Bloomberg em São Francisco na quinta-feira, citada pelo TechCrunch, a executiva abordou o seu turbulento passado, o futuro da sua nova startup e os desafios estruturais que a indústria tecnológica enfrenta atualmente.
Novos modelos de interação na calha
Durante grande parte deste tempo, a empresa de Murati operou de forma discreta nos bastidores, dedicando-se a angariar capital, recrutar investigadores e lançar apenas um produto: o Tinker, uma interface de programação destinada a afinar modelos de código aberto. Contudo, perante a constante atenção sobre a OpenAI, o forte dinamismo da Anthropic e as movimentações da xAI, manter o silêncio deixou de ser uma vantagem estratégica.
Para lembrar o mercado da sua presença, a executiva anteviu os futuros modelos de interação da sua empresa, descrevendo-os como uma abordagem fundamentalmente diferente no segmento. Em vez do clássico sistema baseado em turnos de perguntas e respostas, estes modelos foram desenhados para processar fluxos contínuos de áudio, texto e vídeo em intervalos de 200 milissegundos. O objetivo é captar a textura da comunicação humana de forma quase instantânea, percebendo interrupções, correções a meio do raciocínio e até pausas para pensar. Murati frisou que este é apenas um primeiro passo, recusando-se a adiantar datas de lançamento.
O passado na antiga empresa e o rumo do setor
A entrevista também recaiu sobre o caótico período de novembro de 2023, internamente conhecido como "o blip", quando Sam Altman foi despedido e Murati assumiu interinamente a liderança. A executiva garantiu ter tido clareza nas suas decisões durante esses cinco dias intensos, sublinhando que a prioridade de proteger a missão e a equipa tornou as suas escolhas evidentes, e que sem o seu envolvimento a empresa teria implodido. Em retrospetiva, admitiu que deveria ter exigido mais informações, um plano de transição adequado e maior transparência.
Questionada de forma direta sobre se ainda confia no seu antigo líder, Murati contornou o tema, focando-se num problema mais vasto da indústria: a concentração de decisões de enorme impacto em demasiadas poucas mãos. Alertou que a ausência de mecanismos estruturais de controlo é um risco em todo o setor, vincando que boas pessoas também tomam más decisões e que as organizações podem desviar-se dos seus propósitos iniciais.
No que toca às recentes saídas de investigadores de renome da sua própria startup, a diretora desvalorizou a volatilidade, justificando que erguer um laboratório de ponta do zero comprime anos de mudanças normais em meros meses. Sobre o receio crescente da substituição laboral, recusou a ideia de que um futuro utópico ou distópico esteja garantido, notando que o momento presente ditará o rumo. Contudo, deixou um aviso claro: se a humanidade largar o volante demasiado cedo, o amanhã será muito diferente, mas não necessariamente melhor.












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