
Em maio de 2026, as empresas de tecnologia nos EUA anunciaram o corte de 38.242 postos de trabalho, atingindo o valor mensal mais elevado em quase dois anos. Segundo os dados recolhidos por diversas fontes norte-americanas, a inteligência artificial é agora apontada como a justificação primária para a eliminação de milhares de funções no mercado de trabalho.
O impacto avassalador da automação
No acumulado do ano, as reduções de pessoal no setor tecnológico já afetam 123.653 trabalhadores. Este número representa um aumento expressivo de 66% em comparação com o mesmo período de 2025, evidenciando uma aceleração que surpreendeu os analistas. Maio assinalou também o terceiro mês consecutivo de crescimento nos despedimentos a nível geral.
O panorama torna-se ainda mais claro ao analisar as justificações apresentadas pelas empresas para os cortes. Dos 97.006 despedimentos registados em todos os setores durante o mês passado, a inteligência artificial foi a razão apontada para 38.579 casos. Este valor representa uns impressionantes 40% do total, o que contrasta de forma drástica com os meros 7% assinalados em janeiro deste mesmo ano. Surge assim a ironia de que a própria indústria responsável por criar estas ferramentas de automação é a primeira a sofrer o seu impacto direto.
Reestruturações nas gigantes do mercado
Ao longo do ano, empresas de renome têm efetuado reestruturações profundas. A Hewlett Packard Enterprise cortou 2.500 postos de trabalho logo em março, enquanto a Oracle confirmou a intenção de dispensar um número não especificado de programadores das suas equipas. De forma ainda mais expressiva, a Meta eliminou 8.000 funções recentemente, uma decisão que abalou a indústria e intensificou a discussão sobre a velocidade a que a automação substitui cargos antes considerados seguros.
Para os responsáveis tecnológicos e decisores em Portugal, estes indicadores exigem uma leitura atenta. As tendências laborais observadas na América do Norte chegam frequentemente à Europa com uma margem de alguns meses de desfasamento. A pressão sentida pelas empresas para justificar os elevados investimentos em inteligência artificial através da redução de custos operacionais já começa a ecoar por cá, transformando o desafio não apenas numa transição tecnológica, mas também numa questão estratégica, organizacional e humana.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!