
A guerra dos materiais críticos para o setor tecnológico ganhou um novo e preocupante capítulo. A China interrompeu por completo o fornecimento de pó de tungsténio de alta pureza para o Japão, uma matéria-prima vital na produção de componentes eletrónicos avançados. De acordo com os dados partilhados pela TrendForce, as exportações chinesas deste minério para território japonês caíram para zero entre fevereiro e abril de 2026. Esta paralisia ameaça diretamente o fabrico de hexafluoruro de tungsténio (WF₆), um gás essencial utilizado por gigantes como a Samsung, a SK hynix e a TSMC.
O impacto na produção de memórias e o risco de paragem
O WF₆ não é um recurso qualquer nas linhas de montagem. Ele atua como precursor no processo de deposição química de vapor, criando as películas metálicas que formam as interconexões elétricas e os contactos dentro dos chips. Esta etapa assume uma importância crítica na produção de memórias 3D NAND (utilizadas em dispositivos de armazenamento) e em semicondutores destinados à lógica avançada, onde as estruturas verticais exigem camadas microscópicas sobrepostas.
Algumas fontes do setor industrial indicam que, devido ao colapso no fornecimento da matéria-prima, a produção de gás WF₆ em fábricas japonesas de referência — como a Kanto Denka e a Central Glass — poderá ficar totalmente paralisada a partir de 1 de julho de 2026. A vulnerabilidade das empresas nipónicas provém de uma dependência total de Pequim, uma vez que o Japão não possui reservas domésticas deste recurso. Globalmente, a [China](https://tugatech.com.pt/t85312-china-investe-295 mil-milhoes-de-dolares-em-inteligencia-artificial) controlava mais de 80% da produção mundial de tungsténio em 2023.
Tensões geopolíticas e a escalada de preços para o consumidor
As restrições de exportação começaram a ser desenhadas em fevereiro de 2025, altura em que o governo chinês incluiu o tungsténio, o telurio e outros metais raros na lista de materiais de dupla utilidade (civil e militar). Já em janeiro de 2026, as regras foram endurecidas especificamente para os bens enviados para o Japão.
Como seria de esperar, este estrangulamento na cadeia de distribuição está a provocar uma forte escalada nos custos industriais. O preço de vários produtos derivados do metal já triplicou em determinados mercados. A Mitsubishi Materials, por exemplo, aplicou uma subida drástica para os pedidos de junho, enquanto a Sumitomo Electric aumentou os seus valores de tabela em cerca de 60%. Esta inflação nos componentes deverá acabar por refletir-se no consumidor final, pressionando os preços dos equipamentos tecnológicos.
Embora a SK hynix conte com alguma margem de manobra por recorrer a fornecedores sul-coreanos (como a SK Specialty) e a Samsung tente procurar alternativas, o processo de certificação de um novo fornecedor de gases na indústria de semicondutores pode demorar mais de 18 meses devido à sensibilidade dos equipamentos. Como resposta imediata, o setor japonês tenta acelerar projetos de reciclagem de sucata de tungsténio e a Sumitomo Electric planeia investir perto de 100 milhões de euros numa nova infraestrutura para aumentar a sua capacidade de processamento autónomo.












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