
O mercado global de telemóveis registou uma contração significativa entre abril e junho deste ano. De acordo com o mais recente relatório da IDC, partilhado pelo ITHome, o volume de distribuição mundial caiu para as 277,5 milhões de unidades no segundo trimestre de 2026, o que representa um recuo de 6,7% em termos homólogos. Este recuo foi impulsionado por uma severa crise no fornecimento de chips de memória, que inflacionou os custos de produção e gerou escassez de componentes.
No entanto, o impacto deste cenário dividiu as fabricantes em dois blocos distintos, demonstrando uma forte polarização no setor tecnológico. Enquanto marcas focadas em segmentos de valor sofreram quedas acentuadas, gigantes como a Samsung e a Apple conseguiram contrariar a tendência recessiva e expandir a sua quota de mercado.
Crise das memórias sufoca marcas focadas em modelos acessíveis
O principal motor desta quebra foi o aumento astronómico nos custos dos semicondutores. Nabila Popal, diretora de investigação da IDC, apontou que os preços das memórias registaram uma subida de quase 300% face ao ano anterior. Nos telemóveis de gama de entrada, a memória chegou a representar mais de 65% do custo total dos materiais (BOM), esmagando as margens de lucro das empresas.
Como resposta direta a esta pressão financeira, fabricantes orientadas para o volume de vendas — como a Xiaomi, a OPPO e a vivo — viram as suas distribuições encolher, particularmente no segmento abaixo dos 200 dólares. A Xiaomi registou a descida mais acentuada entre as principais marcas, uma mudança interpretada pela IDC como uma decisão estratégica deliberada para reduzir a dependência de dispositivos de baixa margem e priorizar modelos mais caros e rentáveis.
Apple, Samsung e Huawei consolidam o segmento premium
Em sentido inverso, as marcas com forte presença no mercado premium demonstraram maior resiliência devido a acordos de aquisição de componentes de longo prazo.
Apple: Alcançou um pico histórico para um segundo trimestre, impulsionada pela elevada procura da linha iPhone 17 e pela antecipação dos consumidores face a futuros aumentos de preços.
Samsung: Expandiu a sua quota de mercado em 3,2 pontos percentuais, mantendo o crescimento operacional.
Huawei: Destacou-se com um impressionante crescimento homólogo de 20,9% nas distribuições, suportado por uma forte resiliência no seu mercado doméstico, campanhas promocionais direcionadas e uma diversificação eficaz das suas linhas de produtos.
Arrefecimento no mercado chinês
A forte sensibilidade ao preço fez-se sentir de forma expressiva na China, onde a distribuição de smartphones recuou 4,3% no segundo trimestre, totalizando 66,01 milhões de unidades. Trata-se do quinto trimestre consecutivo de quedas no país asiático.
Os ajustes de preços efetuados pelas fabricantes de dispositivos Android acabaram por afastar os consumidores locais, resultando numa quebra de 15% nas vendas durante o importante evento promocional "618" a meio do ano. Para quem consome tecnologia na Europa e em Portugal, esta realidade serve de aviso, uma vez que a persistência da crise de componentes poderá ditar novos aumentos nos preços de venda ao público nos próximos meses.












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