
A escalada dos preços da memória instalou um clima de incerteza em toda a indústria tecnológica, muito impulsionada pela procura voraz do setor da inteligência artificial que desequilibrou a oferta e a procura. Contudo, enquanto dezenas de marcas enfrentam dificuldades financeiras e os clientes hesitam antes de investir, a Apple navega em sentido contrário. De acordo com os dados partilhados pela Counterpoint Research, a gigante tecnológica prepara-se para atingir uma quota de mercado recorde ao longo deste ano.
O impacto nos telemóveis e tablets
Este cenário reflete-se fortemente nas prateleiras do mercado nacional, onde a inflação da tecnologia obriga os portugueses a ponderar muito bem cada compra, mas a fidelidade à marca parece imune ao custo. Os iPad vão registar uma subida de quatro pontos percentuais, passando para trinta e nove por cento de quota global em 2026. No segmento altamente competitivo dos smartphones, a fabricante passa de vinte e três para vinte e cinco por cento.
Os novos modelos da série dezoito, que incluem as versões Pro e as edições Fold e Ultra lançadas este ano, assumem a responsabilidade por este salto comercial. Paralelamente, os consumidores que procuram alternativas ligeiramente mais acessíveis continuam a absorver os modelos da geração dezassete, colmatando a ausência do modelo padrão da linha dezoito que só chega em 2027.
Computadores desafiam a quebra generalizada
O contraste mais acentuado verifica-se no setor dos computadores pessoais. Numa altura em que o mercado geral de portáteis regista uma quebra de onze por cento, os envios de computadores Mac sobem vinte e três por cento em 2026. O catálogo que abrange as linhas mini, iMac e portáteis atinge agora doze por cento de presença global.
O sucesso do MacBook Neo justifica grande parte deste interesse, oferecendo uma relação entre desempenho e preço que captou imediatamente a atenção do público. A estratégia ágil da empresa em disponibilizar modelos reacondicionados desta e de outras linhas revelou-se um trunfo indispensável para atenuar o choque nos bolsos dos clientes europeus, permitindo manter o volume de vendas num contexto adverso.
Os relógios inteligentes da fabricante acompanham a tendência de crescimento, subindo três por cento e estabelecendo-se nos vinte e três por cento de adoção. Embora não represente um marco histórico para os acessórios de pulso da marca, reforça a resiliência de um ecossistema que parece, para já, conseguir contornar completamente a crise mundial de abastecimento de componentes.












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