
A plataforma de streaming Twitch começou a utilizar os conteúdos dos criadores para treinar modelos de inteligência artificial generativa da Amazon, num processo que surge ativado por predefinição. A medida suscitou indignação imediata por parte da comunidade, conforme indicam as informações originadas numa publicação oficial partilhada no X.
Para a empresa, as gravações representam milhares de horas de áudio e vídeo cruciais para a aprendizagem das máquinas. No entanto, os criadores temem estar a ceder os seus conteúdos sem o saberem, uma preocupação agravada pelo facto de a recolha de dados para os modelos da empresa-mãe exigir uma desativação manual. Este ponto revela-se especialmente sensível numa plataforma onde os utilizadores gravam a própria voz e imagem durante longas horas semanais.
A justificação perante os utilizadores
O descontentamento foi palpável durante uma transmissão no canal oficial da empresa, onde a responsável pela comunidade, Mary Kish, e o diretor de produto, Mike Minton, enfrentaram uma audiência em direto composta por quase 3.000 utilizadores visivelmente irritados. Quando confrontado sobre o motivo de a opção não exigir consentimento prévio, Mike Minton respondeu de forma frontal.

"Por que razão não é de adesão voluntária? É isso que todos estão a mandar no chat. Eu percebo. ‘Deixem-me aderir em vez de me obrigarem a recusar,’" explicou o responsável. "Bem, há uma resposta honesta… Se isto fosse de adesão voluntária, ninguém iria aderir. Essa é honestamente a resposta."
A forma como a decisão foi comunicada também evidenciou que a empresa já contava com uma reação negativa. Em vez de anunciar abertamente a recolha de conteúdos para os modelos da sua proprietária, a plataforma preferiu descrever a novidade como a adição de uma simples definição de privacidade. A situação gerou confusão sobre se as gravações anteriores já tinham sido utilizadas, uma dúvida que Mike Minton não conseguiu esclarecer por desconhecer os métodos passados usados pela empresa-mãe no treino de modelos.
Passos para proteger o canal e recusar o treino
Mary Kish sublinhou que a própria existência de um botão de exclusão pretende dar resposta à voz da comunidade, que tem demonstrado uma posição desfavorável perante a inteligência artificial generativa. A responsável relembrou ainda que redes sociais públicas como a Meta já aplicam práticas semelhantes, o que significa que contas abertas no Facebook e Instagram já foram, de forma provável, usadas para alimentar outros sistemas.
Para os criadores portugueses que procuram impedir a utilização dos seus conteúdos, o processo exige apenas alguns cliques:
Aceder às definições do canal (fora do painel de controlo do criador);
Escolher o separador de segurança e privacidade;
Deslizar até à secção "treino para IA generativa";
Desativar a opção correspondente.
Esta ação impede o acesso aos dados futuros, garantindo que as transmissões e o esforço criativo deixam de alimentar a máquina de IA sem a devida autorização explícita do criador.












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