
O Tribunal Federal de Oakland, na Califórnia, deu início ao julgamento que opõe uma coligação de 29 estados norte-americanos à Meta. De acordo com os dados avançados pela BBC News, a tecnológica liderada por Mark Zuckerberg é acusada de desenhar conscientemente as suas redes sociais para causar dependência em crianças e adolescentes, ocultando os riscos reais para a saúde mental dos mais jovens.
O processo legal, com uma duração prevista de cinco a sete semanas sob a alçada da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, será avaliado por um júri composto por oito elementos. Conforme detalha a Reuters, as sessões vão contar com os depoimentos de Mark Zuckerberg e do responsável pelo Instagram, Adam Mosseri, numa ação que poderá forçar alterações profundas na conceção e no funcionamento do Facebook e do Instagram.
E-mails internos e relatos sobre impacto nos adolescentes
Durante as declarações iniciais, a procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O'Neill, defendeu que o modelo de negócio da empresa foi estruturado para prender os utilizadores pelo máximo tempo possível, recolher dados pessoais e rentabilizar essa presença a longo prazo. Entre as provas apresentadas consta uma mensagem interna enviada a Adam Mosseri, na qual funcionários se referiam ao Instagram como uma "droga" e aos próprios colaboradores como "traficantes", demonstrando conhecimento do impacto das plataformas no público mais jovem.
O primeiro dia de audiências ficou também marcado pelo testemunho de Arturo Béjar, ex-líder sénior de engenharia e produto do Facebook. Béjar relatou que a sua própria filha, ao criar conta na plataforma aos 14 anos, recebeu mensagens inadequadas sem que a rede oferecesse mecanismos diretos de denúncia para esse tipo de abuso, acrescentando que a empresa subnotificou sistematicamente a exposição a conteúdos gráficos e violentos.
Defesa nega dependência e contesta acusações
Em resposta às alegações, a equipa jurídica da Meta rejeitou categoricamente a existência de uma estratégia para viciar menores. O advogado Paul Schmidt argumentou que eventuais dificuldades sentidas por alguns utilizadores não equivalem a um quadro clínico de dependência, sublinhando a ausência de consenso científico sobre a matéria e enquadrando a linguagem do e-mail exibido como terminologia informal sem reflexo na orientação da empresa.
Apesar das notícias que apontavam para exigências indemnizatórias na ordem dos 1,4 biliões de dólares, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, esclareceu no final da sessão que não foi fixado um montante exato, embora os estados envolvidos pretendam aplicar uma sanção financeira substancial.







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