1. TugaTech » Internet e Redes » Noticias da Internet e Mercados
  Login     Registar    |                      
Siga-nos

Mark Zuckerberg

No centro de um caso judicial de enorme relevância sobre a responsabilidade das redes sociais, uma questão fundamental paira no ar: terá a gigante tecnológica mentido ou induzido o público em erro sobre a segurança das suas plataformas, enquanto internamente sabia de uma realidade bem diferente?

O estado do Novo México, nos EUA, iniciou a sua argumentação na passada segunda-feira, alegando que as declarações públicas dos executivos de topo da Meta contradiziam regularmente as suas próprias discussões e investigações internas sobre os danos que o Facebook e o Instagram causavam aos adolescentes. Segundo Don Migliori, advogado do estado, a empresa priorizou os lucros e o seu compromisso declarado com a liberdade de expressão em detrimento da segurança dos jovens utilizadores.

Por outro lado, a defesa da tecnológica, liderada pelo advogado Kevin Huff, garantiu ao júri que a empresa não enganou ninguém e que divulga regularmente os potenciais riscos dos seus serviços. Huff argumentou que estas divulgações existem precisamente porque a empresa não consegue detetar imediatamente todas as violações dos termos de serviço, afirmando que "as provas mostrarão que a Meta disse a verdade", apesar de conteúdos horríveis poderem, por vezes, escapar aos filtros da plataforma.

O que a Meta disse versus o que a Meta sabia

O caso, liderado pelo procurador-geral Raúl Torrez, argumenta que a empresa desenhou os seus produtos de forma viciante. Para sustentar a acusação de engano ao consumidor, a acusação apresentou slides contrastantes ao júri: uns detalhavam "o que a Meta disse" e outros "o que a Meta sabia".

Entre as provas apresentadas, destacam-se declarações públicas de executivos, incluindo Mark Zuckerberg, afirmando que crianças com menos de 13 anos não eram permitidas nas plataformas. Em contrapartida, a acusação mostrou dados internos onde os executivos estimavam a existência de 4 milhões de contas de utilizadores com menos de 13 anos no Instagram.

Num e-mail de 2018 enviado por Zuckerberg aos executivos de topo, o CEO escreveu que considerava "insustentável subordinar a liberdade de expressão da forma que a comunicação da ideia de 'Segurança Primeiro' sugere", acrescentando que "manter as pessoas seguras é o contrapeso e não o ponto principal". O estado planeia chamar várias testemunhas, incluindo antigos funcionários. Contextos anteriores sobre falhas na proteção de adolescentes já tinham sido reportados, como destaca a CNBC a propósito de testemunhos no Congresso.

Facebook não é Fentanyl e a guerra dos perfis falsos

A defesa da tecnológica procurou desmontar a ideia de "vício", argumentando que aquilo a que se chama coloquialmente de vício em redes sociais está mal classificado. Kevin Huff fez uma comparação direta com substâncias ilícitas, afirmando que "o Facebook não é como o fentanil". O advogado explicou que ninguém sofre uma overdose na rede social e que os estudos científicos indicam que as pessoas não têm sintomas de abstinência física quando param de usar a plataforma, ao contrário do que acontece com opióides.

O julgamento envolveu também uma investigação com contas "isco" criadas pelo estado para atrair supostos predadores de crianças, o que resultou em três detenções. Esta tática gerou uma forte reação da empresa tecnológica. Andy Stone, porta-voz da Meta, acusou o procurador-geral de utilizar o caso para ganho político e criticou a investigação como sendo "eticamente comprometida".

Numa troca de argumentos acesa, Stone alegou numa publicação que o gabinete do procurador utilizou imagens de crianças reais sem consentimento para criar os perfis falsos, recorrendo a contas "envelhecidas" que seriam, na verdade, contas pirateadas compradas em mercados ilícitos. A acusação respondeu prontamente, afirmando que a empresa está a tentar desviar as atenções do facto de as suas plataformas exporem crianças a criminosos, em vez de tornarem os seus produtos mais seguros.

Foto do Autor

Aficionado por tecnologia desde o tempo dos sistemas a preto e branco

Ver perfil do usuário Enviar uma mensagem privada Enviar um email Facebook do autor Twitter do autor Skype do autor

conectado
Encontrou algum erro neste artigo?



Aplicações do TugaTechAplicações TugaTechDiscord do TugaTechDiscord do TugaTechRSS TugaTechRSS do TugaTechSpeedtest TugaTechSpeedtest TugatechHost TugaTechHost TugaTech