
Um grupo de senadores norte-americanos decidiu confrontar diretamente a liderança da gigante das redes sociais, enviando uma carta a Mark Zuckerberg. O objetivo é claro: exigir explicações sobre o motivo pelo qual a empresa demorou tanto tempo a implementar proteções essenciais para os utilizadores menores de 18 anos.
A missiva, assinada por legisladores como Brian Schatz e Katie Britt, baseia-se em documentos judiciais revelados no final do ano passado. Estes registos sugerem que a Meta poderá ter minimizado os danos causados pelas suas plataformas, privilegiando o aumento do envolvimento dos utilizadores em detrimento da segurança.
O dilema entre segurança e "engagement"
A empresa começou a colocar automaticamente os adolescentes em contas privadas e mais restritivas no Instagram em setembro de 2024, estendendo posteriormente essas proteções ao Facebook e Messenger. No entanto, um documento judicial não editado, parte de um processo nacional sobre segurança infantil nas redes sociais, alega que a tecnológica considerou tornar todas as contas de adolescentes privadas logo em 2019.
Segundo as alegações, o plano foi abandonado na altura porque a empresa concluiu que tal medida iria, muito provavelmente, "esmagar o engagement". Na carta, os senadores pressionam Zuckerberg para que divulgue mais informações sobre este atraso no lançamento da funcionalidade "privado por defeito", bem como a identificação das equipas envolvidas nessa decisão estratégica.
Investigação interna e políticas de suspensão
Os legisladores questionam ainda se a empresa alguma vez interrompeu estudos ou investigações sobre o bem-estar dos utilizadores quando os resultados se mostravam indesejáveis, conforme sugerido nos processos. A preocupação central é que a tecnológica não só estaria ciente dos riscos, como poderá ter adiado alterações no design dos produtos para não prejudicar as métricas de utilização.
Além das questões de design, os senadores exigem esclarecimentos sobre as políticas de remoção de conteúdos relacionados com abuso sexual infantil e tráfico sexual. O documento judicial revelou um testemunho do antigo chefe de segurança e bem-estar da empresa, que afirmou que a plataforma só suspendia uma conta após o utilizador incorrer em 17 violações por "prostituição e angariação".
A carta enviada estabelece um prazo até ao dia 6 de março para que a empresa responda a todas as questões levantadas.










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