
Uma nova campanha ativista no Reino Unido lançou uma base de dados interativa para identificar e mapear as lojas físicas que vendem óculos inteligentes equipados com câmara. O projeto, designado por Stop Smart Glasses, permite aos utilizadores pesquisar distribuidores por código postal, vila ou cidade, incentivando a população local a contactar diretamente os retalhistas para exigir a interrupção da comercialização destes dispositivos.
A iniciativa foi desenvolvida pela fundadora tecnológica Liz Hunter, sediada em Londres, em parceria com o professor e ativista Guy Holder. Holder é também o autor de uma petição pública para proibir a venda e promoção de óculos com capacidade de gravação no país, iniciativa que reúne quase 7.000 assinaturas.
Base de dados interativa criada numa semana com apoio de IA
De acordo com Hunter, a ferramenta de código aberto foi construída em apenas uma semana com o auxílio do Claude Code, de um Custom GPT e do Google Gemini. O objetivo passa por facultar o código a ativistas de outros países para que possam replicar a plataforma e combater a proliferação destes equipamentos a nível global.
Embora os modelos da Meta, tais como os Ray-Ban Meta e Oakley Meta, sejam o alvo imediato da campanha, a organização alerta que gigantes como a Apple, a Google e a Samsung preparam igualmente os seus próprios dispositivos com inteligência artificial e câmaras integradas. Uma pesquisa jornalística identificou dez grandes distribuidores no Reino Unido, incluindo a cadeia John Lewis, que lista 37 modelos com preços entre as 269 £ e as 479 £ (sensivelmente 318 € a 565 €).
Preocupações com a privacidade de crianças e cidadãos
O sobressalto dos ativistas centra-se na facilidade com que estes óculos captam vídeo e áudio de terceiros sem aviso prévio percetível. Embora os equipamentos integrem uma luz LED para assinalar a gravação, a proteção é facilmente contornada ou tapada pelos utilizadores, o que levou a fabricante a tentar aplicar bloqueios no software.
Liz Hunter explicou que a motivação para criar a plataforma surgiu do receio, enquanto mãe, de ver crianças e mulheres gravadas em espaços públicos sem consentimento ou conhecimento, vendo vídeos posteriormente publicados nas redes sociais. Para a criadora da ferramenta, a comercialização destes produtos representa uma transferência abusiva de poder sobre a privacidade individual.
Reação institucional e apoio público no Reino Unido
O Reino Unido tem-se afirmado como um dos pontos centrais da reação contra estes vestíveis. Vários tribunais de Inglaterra e do País de Gales baniram a entrada destes óculos nas suas instalações, enquanto estabelecimentos como pubs, clubes noturnos e salas de cinema impuseram restrições semelhantes por motivos de privacidade e pirataria.
Em março de 2026, uma sondagem da YouGov revelou que 49% dos adultos britânicos apoiam a proibição total de óculos inteligentes em espaços públicos, perante 30% que se opõem à medida. Contudo, em junho de 2026, o governo britânico declarou que não tenciona aprovar legislação específica para estes dispositivos, remetendo a regulação para o enquadramento legal existente sobre conduta prejudicial.







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