
A polémica em torno do lançamento do Llama 4, ocorrido em abril de 2025, acaba de ganhar um novo capítulo explosivo. Yann LeCun, antigo líder do departamento de Inteligência Artificial da Meta, veio a público confirmar as suspeitas que circulavam na comunidade tecnológica: a empresa manipulou os testes de desempenho do seu modelo de linguagem para apresentar resultados superiores à realidade.
Numa revelação franca, o executivo admitiu que os engenheiros da gigante tecnológica utilizaram variantes diferentes do modelo para cada teste de benchmarking, otimizando especificamente o software para passar nas provas, em vez de apresentarem um modelo único e consistente. Esta estratégia explicaria a discrepância notada por especialistas e utilizadores, que ficaram desapontados com o desempenho real do Llama 4 quando este chegou às mãos do público.
Estas declarações surgem no contexto de uma entrevista citada pelo Implicator, onde LeCun expõe os bastidores tumultuosos da empresa de Mark Zuckerberg.
A fúria de Zuckerberg e a reestruturação da IA
As consequências desta "otimização criativa" foram severas e imediatas. Segundo LeCun, Mark Zuckerberg perdeu a confiança na equipa envolvida assim que a estratégia foi descoberta. A resposta do CEO foi drástica: a organização dedicada à IA generativa foi, na prática, colocada "na prateleira", o que desencadeou uma vaga de demissões. "Muitos já saíram, e muitos que ainda não saíram, vão sair", confidenciou o cientista.
Para tentar corrigir o rumo, a Meta operou uma mudança estratégica agressiva. A empresa investiu 15 mil milhões de dólares na Scale AI e nomeou Alexandr Wang, CEO dessa startup, para chefiar a nova unidade de pesquisa em modelos de inteligência artificial. Numa tentativa de atrair talento de elite e estancar a fuga de cérebros, a empresa chegou a oferecer bónus de assinatura que podiam atingir os 100 milhões de dólares.
O conflito de visões e a nova aposta em Paris
A reestruturação colocou Yann LeCun numa posição desconfortável, passando a reportar diretamente a Alexandr Wang. O vencedor do prémio Turing não poupou críticas ao novo líder, afirmando que este "não tem experiência em pesquisa ou como fazer pesquisas".
Mais do que choques de personalidade, a saída de LeCun deve-se a uma divergência fundamental sobre o futuro da tecnologia. Enquanto a Meta aposta todas as fichas na escala massiva de modelos de linguagem (LLMs), LeCun acredita que este caminho é um beco sem saída para atingir a verdadeira superinteligência.
Para o cientista, os LLMs são limitados porque não têm contacto com o mundo físico. LeCun usa uma analogia simples: tentar criar inteligência apenas com texto é como tentar aprender carpintaria lendo todos os livros sobre madeira, mas sem nunca tocar num martelo. "A minha integridade como cientista não me permite fazer isso", sublinhou, referindo-se à insistência nos LLMs.
Agora fora do universo Meta, LeCun fundou a sua própria startup, a AMI Labs, sediada em Paris. A escolha da localização não foi inocente e serve como uma última crítica à cultura tecnológica norte-americana: "O Vale do Silício está completamente hipnotizado por modelos generativos, então é preciso fazer este tipo de trabalho longe de lá".










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