
A Meta pode estar prestes a perder um dos seus nomes mais sonantes no campo da Inteligência Artificial: Yann LeCun, o cientista-chefe de IA da empresa, planeia abandonar a gigante tecnológica para construir a sua própria startup. A notícia é avançada pelo TechCrunch, que cita fontes anónimas do Financial Times, indicando que a saída pode acontecer já nos próximos meses.
O adeus de um "padrinho" da IA
A saída de LeCun não é um acontecimento trivial. Estamos a falar de um professor da Universidade de Nova Iorque e vencedor do prestigiado Prémio Turing, frequentemente descrito como o "Nobel da computação".
Segundo a notícia, a sua nova empresa, para a qual já estará a tentar angariar capital, deverá focar-se na continuação do seu trabalho em "modelos mundiais" (world models). Para quem não conhece o termo, um "modelo mundial" é um sistema de IA que desenvolve uma compreensão interna do ambiente que o rodeia. Isto permite-lhe simular cenários de causa-efeito e prever resultados, uma área onde laboratórios como o Google DeepMind também estão a apostar fortemente.
A crise interna da Meta e a aposta na "Superinteligência"
Esta potencial saída surge num momento crítico para a Meta. A empresa tem vindo a alterar drasticamente a sua abordagem ao desenvolvimento de IA, numa resposta clara às preocupações de que está a ser ultrapassada por rivais como a OpenAI, Google e Anthropic.
A gigante de Zuckerberg tem estado a remodelar a sua organização de IA. Recentemente, contratou mais de 50 engenheiros e investigadores da concorrência para formar uma nova unidade, os Meta Superintelligence Labs (MSL). Esta mudança incluiu um investimento colossal de 14,3 mil milhões de dólares na Scale AI, cujo CEO, Alexandr Wang, foi contratado para liderar esta nova divisão.
Fontes internas, citadas pelo TechCrunch em agosto, descrevem um cenário de caos na unidade de IA da Meta. Os novos talentos queixam-se da burocracia, enquanto a equipa original de IA generativa (o laboratório FAIR) viu o seu trabalho ficar limitado e ofuscado.
O trabalho de investigação a longo prazo de LeCun no FAIR, focado em técnicas que poderiam ser usadas daqui a cinco ou 10 anos, terá sido uma das vítimas desta reestruturação. A pressão aumentou especialmente depois da família de modelos Llama 4, da Meta, não ter conseguido acompanhar os modelos rivais.
Uma visão cética sobre os LLMs atuais
Yann LeCun nunca escondeu o seu ceticismo sobre a forma como a tecnologia de IA, especialmente os Modelos de Grande Linguagem (LLMs), está a ser promovida como a cura para todos os males da humanidade.
Num tweet famoso, LeCun afirmou que os sistemas de IA ainda têm um longo caminho a percorrer. "Parece-me que antes de 'descobrirmos urgentemente como controlar sistemas de IA muito mais inteligentes do que nós', precisamos de ter o início de uma pista de um design para um sistema mais inteligente que um gato doméstico", escreveu.
Até ao momento, a Meta não comentou esta notícia.










Nenhum comentário
Seja o primeiro!