
A Comissão Europeia está a ponderar "muito seriamente" avançar com ações contra a plataforma de redes sociais X (antigo Twitter), na sequência de um incidente grave envolvendo a sua ferramenta de Inteligência Artificial. O caso, que gerou indignação, envolveu a utilização do chatbot Grok para gerar imagens sexualmente explícitas de uma menor.
"Isto não é picante, é ilegal"
A polémica estalou quando o Grok respondeu positivamente a um pedido de um utilizador para remover a roupa de uma imagem de uma atriz de 14 anos. Este episódio surge no meio de uma vaga de atividades semelhantes na plataforma, onde a ferramenta tem sido utilizada para "despir" digitalmente mulheres e colocar as suas imagens em biquínis ou situações comprometedoras.
Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia para a tecnologia, foi perentório nas suas declarações aos jornalistas na passada segunda-feira. "Estamos muito cientes de que o Grok no X está agora a oferecer um 'modo picante' (spicy mode) que mostra conteúdo sexual explícito, com alguns resultados gerados a partir de imagens de crianças", afirmou o responsável, conforme reportado pela The Record.
A condenação de Bruxelas foi imediata e dura: "Isto não é picante. Isto é ilegal. Isto é atroz. Isto é nojento. É assim que o vemos, e isto não tem lugar na Europa", sublinhou Regnier.
Histórico de infrações e tensões políticas
O executivo comunitário recordou que esta "não é a primeira vez que o Grok gera este tipo de resultados". A Comissão já tinha enviado anteriormente um pedido de informação à plataforma de Elon Musk após a disseminação de material que punha em causa o reconhecimento do Holocausto, o que constitui crime em vários países europeus.
A tensão entre Bruxelas e a empresa tecnológica tem vindo a escalar. No mês passado, a Comissão Europeia aplicou uma multa de 120 milhões de euros ao X por violação do Regulamento dos Serviços Digitais (DSA), um conjunto de leis da UE focadas na transparência e na proteção dos utilizadores contra burlas e desinformação. A plataforma classificou a sanção como "um ato sem precedentes de censura política e um ataque à liberdade de expressão".
Este escrutínio europeu contribuiu para um conflito político crescente entre a União Europeia e os Estados Unidos sobre a regulação das plataformas digitais. Sob a liderança de Musk, o X eliminou muitas das salvaguardas que eram anteriormente utilizadas para prevenir a propagação de conteúdo ilegal e prejudicial. Aliados do empresário, incluindo o Vice-Presidente JD Vance, têm criticado repetidamente a UE, acusando a liderança do bloco de "atacar empresas americanas por causa de lixo".
O cerco aperta na Europa
Além da pressão de Bruxelas, a plataforma enfrenta problemas legais noutras frentes. O Ministério Público de Paris lançou uma nova investigação contra a rede social, enquanto o regulador de comunicações britânico relembrou que a criação de imagens íntimas não consensuais é uma ofensa criminal no país.
Regnier deixou um aviso claro aos jornalistas e à empresa: "O X está muito ciente de que somos muito sérios quanto à aplicação do DSA. Eles lembrar-se-ão da multa que receberam da nossa parte em dezembro. Por isso, encorajamos todas as empresas a estarem em conformidade, porque a Comissão leva a sério a aplicação da lei".










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