
A indústria transformadora em Portugal acaba de dar um salto tecnológico significativo neste início de 2026. A Vodafone Portugal anunciou a conclusão do seu projeto de implementação de redes móveis privadas (MPN) 5G Standalone em todas as unidades de produção da CIMPOR em território nacional.
Com a ativação da infraestrutura na fábrica de Souselas, em Coimbra, o ciclo fica completo, juntando-se esta unidade às de Alhandra e Loulé, que já operavam com esta tecnologia. Este marco, alcançado em parceria com a Ericsson, coloca a cimenteira na linha da frente da Indústria 4.0, substituindo métodos de comunicação tradicionais por uma solução robusta capaz de suportar as condições exigentes do chão de fábrica.
Uma revolução industrial sem fios
Quem conhece o ambiente de uma fábrica de cimento sabe que não é o local ideal para redes Wi-Fi convencionais. O pó, as vibrações constantes e as gigantescas estruturas metálicas são o pesadelo de qualquer sinal sem fios. É aqui que o 5G Standalone brilha, oferecendo uma cobertura dedicada com uma latência inferior a 10 milissegundos e, crucialmente, uma ausência total de interferências.
Esta "autoestrada" de dados privada permite ligar simultaneamente uma panóplia de dispositivos. Não estamos a falar apenas de telemóveis, mas sim de uma rede complexa de sensores IoT, veículos autónomos e sistemas de monitorização de ativos em tempo real.
Entre as aplicações práticas que esta tecnologia veio desbloquear, destacam-se:
Inspeções com drones: As inspeções remotas colaborativas tornam-se mais rápidas e seguras, permitindo verificar infraestruturas de difícil acesso sem colocar técnicos em risco.
Realidade Aumentada: Assistência remota onde os técnicos no terreno usam óculos inteligentes para receber instruções em tempo real.
Gémeos Digitais (Digital Twins): A criação de réplicas virtuais exatas das infraestruturas para testes e monitorização detalhada.
Poupanças milionárias e sustentabilidade
A aposta na transformação digital não é apenas uma questão de modernização tecnológica; é uma estratégia financeira e ambiental. Segundo os dados revelados, a introdução destes sistemas inteligentes de produção, agora impulsionados pelo 5G, traduz-se em ganhos de eficiência diretos e indiretos que oscilam entre os 10 e os 15 milhões de dólares anuais.
Só na manutenção preditiva de equipamentos — saber que uma máquina vai avariar antes de isso acontecer — a poupança pode chegar a 1 milhão de dólares. Mas o impacto vai além da carteira: a otimização dos processos contribui para uma redução de até 140 mil toneladas de CO2, alinhando a produção com metas ambientais mais rigorosas.
Henrique Fonseca, da Vodafone Portugal, sublinha que estas redes expandem a atividade das fábricas "muito para lá da sua localização física", permitindo uma interpretação rápida de dados e a realização de atividades à distância.
Com o sucesso da implementação em solo nacional, a CIMPOR prepara-se agora para exportar este modelo. A empresa está a analisar a expansão destas redes privadas para outras áreas do grupo a nível global, provando que a tecnologia testada em Alhandra, Loulé e Souselas está pronta para escalar e servir de base para futuras implementações de inteligência artificial e drones em contexto industrial.










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