
É um cenário familiar para qualquer utilizador que tenha comprado um smartphone da Xiaomi, Redmi ou POCO recentemente. Ao abrir a caixa, encontramos aquela capa transparente de proteção gratuita – um gesto simpático da marca que oferece segurança imediata. No entanto, poucos dias ou semanas depois, essa mesma capa começa a ganhar um tom amarelado ou acastanhado desagradável, dando um aspeto envelhecido ao equipamento novo.
Muitos utilizadores assumem que se trata apenas de sujidade ou má utilização, mas a realidade é bem mais complexa. Segundo informações detalhadas pelo XiaomiTime, existe uma explicação científica relacionada com a química dos materiais e o calor gerado pelo próprio telemóvel.
A culpa é da estrutura química
A grande maioria destas capas incluídas nas caixas é fabricada com um material chamado Poliuretano Termoplástico (TPU) Aromático. A escolha deste material pelos fabricantes deve-se à sua robustez, flexibilidade e, crucialmente, aos baixos custos de produção.
No entanto, o "calcanhar de Aquiles" deste TPU reside na sua estrutura molecular, especificamente nos anéis de benzeno. Estes anéis são extremamente sensíveis à luz ultravioleta (UV) emitida naturalmente pelo sol. Quando exposta à luz do dia, a capa sofre um processo químico denominado "rearranjo de Photo-Fries".
Este fenómeno altera a estrutura interna do plástico, produzindo novas moléculas que absorvem a luz azul. Como resultado, o olho humano perceciona a cor amarela ou castanha. É importante notar que, como esta degradação ocorre ao nível molecular do polímero, não é algo que se possa lavar com água e sabão. O dano é permanente.
O calor do carregamento acelera o envelhecimento
A luz solar não é o único inimigo. A Xiaomi é líder mundial em tecnologias de carregamento rápido, com o sistema HyperCharge a atingir potências de 67W ou 120W em vários modelos. Embora impressionante, esta tecnologia gera uma quantidade considerável de calor.

O calor atua como um poderoso catalisador para a oxidação. Quando o telemóvel aquece – seja durante o carregamento ou durante sessões intensas de jogos com processadores potentes como o Snapdragon 8 Elite – as cadeias de polímeros do material TPU expandem-se. Esta expansão facilita a penetração de oxigénio e óleos no material.
Essencialmente, as altas temperaturas "cozem" os compostos aromáticos da capa, acelerando drasticamente um processo de envelhecimento que, em condições normais, demoraria meses a acontecer.
A nossa pele também contribui
Para além da luz e do calor, o contacto diário com o utilizador é o terceiro fator determinante. O sebo natural produzido pela pele humana é facilmente absorvido pelo TPU, que é um material poroso.
Além disso, produtos de cuidados pessoais, especialmente aqueles que contêm Vitamina C ou Retinol, reagem de forma agressiva com este tipo de plástico. A combinação destes elementos – óleos da pele, cosméticos, calor do processador e luz UV – cria uma "tempestade perfeita" de oxidação.
É esta combinação de fatores que explica por que razão uma capa perfeitamente transparente pode começar a apresentar manchas visíveis após apenas 48 horas de uso intensivo, transformando o aspeto cristalino num amarelo indesejado.




Qua 7 Jan 2026 - 12:03 por ИΞMΞSIS




