
O ano de 2025 revelou-se particularmente tumultuoso para o mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos, e a Tesla Cybertruck parece ter sido uma das principais vítimas desta instabilidade. A famosa e angular "pickup" de Elon Musk registou a queda de vendas mais acentuada de qualquer veículo elétrico (VE) no território americano em termos de volume, passando de um sucesso inicial para um cenário de estagnação preocupante.
De acordo com as estimativas da Cox Automotive, citadas pelo InsideEVs, a Tesla vendeu cerca de 39.000 unidades da Cybertruck durante o seu primeiro ano completo no mercado, em 2024. No entanto, o cenário mudou drasticamente no ano seguinte. Em 2025, as vendas foram cortadas praticamente para metade, com apenas cerca de 20.200 unidades entregues aos clientes. Este défice de quase 19.000 unidades representa a maior quebra de vendas de qualquer modelo elétrico à venda na América, superando até modelos que foram descontinuados a meio do ano.
O fim do entusiasmo inicial e o impacto dos incentivos
A Cybertruck foi, em parte, vítima do seu próprio sucesso inicial e da curiosidade que gerou. Embora tenha terminado 2024 como a pickup elétrica mais popular da América, conquistando compradores com o seu visual futurista e tecnologias como o sistema "steer-by-wire", a procura arrefeceu rapidamente. Ao contrário da capacidade de produção anunciada pela marca, que apontava para mais de 125.000 unidades anuais na fábrica do Texas — e com Musk a sugerir metas de 250.000 no passado —, os números reais sugerem que a fabricante sobrestimou largamente o apetite dos consumidores por este veículo de aço inoxidável.
Para além da saturação dos "early adopters" (os primeiros entusiastas a comprar a novidade), o mercado de 2025 foi marcado pelo desaparecimento de políticas fundamentais, como o crédito fiscal de 7.500 dólares para veículos "limpos". A procura por elétricos começou a suavizar, com o público geral a procurar opções mais práticas e acessíveis. A Cybertruck não foi a única a sofrer: as vendas do Kia EV6 caíram 40%, e a carrinha Ford E-Transit afundou 59%. Até o popular Model Y registou uma ligeira queda de 4%.
Desafios políticos e o cancelamento de rivais
A Cybertruck enfrentou ainda desafios únicos. O seu design polarizador e a associação de Elon Musk a causas políticas controversas e à administração Trump afastaram uma parte significativa da base demográfica liberal, que tradicionalmente constitui o núcleo de compradores de veículos elétricos nos EUA. Para muitos, o veículo tornou-se mais uma declaração política do que uma ferramenta de trabalho ou lazer.
O segmento das grandes pickups elétricas, no geral, falhou em "descolar" nos EUA devido aos custos elevados das baterias e às limitações de reboque. O exemplo mais flagrante desta crise foi o cancelamento da Ford F-150 Lightning em dezembro, um modelo que outrora prometia levar os elétricos às massas. A Ram também descartou os seus planos para uma pickup totalmente elétrica, optando por uma versão com extensor de autonomia a combustão.
Apesar destes tropeços e de uma quebra geral nas vendas da sua gama, a Tesla encerrou 2025 como a líder incontestável do mercado elétrico americano. A fabricante vendeu aproximadamente 590.000 carros, garantindo uma quota de mercado de 46%, que subiu para 59% nos últimos três meses do ano, demonstrando uma resiliência superior à dos seus concorrentes diretos.










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