
A indústria pesada enfrenta um desafio constante: como obter o calor e o vapor necessários para os seus processos sem depender de combustíveis fósseis. Na Alemanha, a resposta pode estar numa tecnologia surpreendentemente simples, mas eficaz, que envolve tijolos. A Rondo Energy e a Covestro iniciaram a construção de uma bateria de calor industrial inovadora nas instalações químicas da Covestro em Brunsbüttel, no norte do país.
Este sistema foi desenhado para aproveitar o excedente de energias renováveis e transformá-lo em vapor limpo e fiável, algo que a indústria procura desesperadamente para reduzir a sua pegada de carbono.
Armazenar energia em tijolos para criar vapor limpo
A lógica por detrás desta tecnologia tira partido de uma realidade cada vez mais comum na rede elétrica alemã. Em 2025, o país registou 573 horas de preços de eletricidade negativos, um aumento de 25% em relação ao ano anterior, devido ao excesso de produção renovável. A "Heat Battery" da Rondo carrega-se precisamente nestes momentos em que a eletricidade é abundante e barata.
O funcionamento baseia-se no aquecimento de tijolos especialmente desenhados através de resistências elétricas. Estes tijolos armazenam a energia térmica e, posteriormente, libertam-na para criar vapor a alta temperatura de forma contínua, 24 horas por dia. O objetivo é substituir as caldeiras a gás natural em instalações industriais que operam ininterruptamente.
Conforme reportado pela Electrek, a tecnologia é enganadoramente simples, combinando materiais de armazenamento de calor comprovados há séculos na siderurgia com automação moderna.
Um projeto de larga escala com impacto ambiental
O sistema de Brunsbüttel terá uma capacidade de 100 megawatts-hora (MWh) e está agendado para entrar em funcionamento no final de 2026. Esta capacidade coloca-o a par com outra bateria de calor da Rondo que iniciou operações na Califórnia em outubro, sendo estas as maiores do género no mundo industrial.
Quando estiver operacional, espera-se que o sistema forneça cerca de 10% de todo o vapor necessário nas instalações de Brunsbüttel, permitindo um corte nas emissões de dióxido de carbono na ordem das 13.000 toneladas por ano. Este projeto conta com o apoio do Breakthrough Energy Catalyst e do Banco Europeu de Investimento.
Para as autoridades locais, esta iniciativa é um exemplo do que é possível alcançar numa rede carregada de renováveis, permitindo reforçar a independência energética da Europa e apoiar as metas de neutralidade climática, sem comprometer a base industrial.










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