
Com a aproximação da época de saldos de inverno, a corrida às compras digitais intensifica-se, mas um novo estudo sugere que os consumidores podem estar a sobrestimar a sua capacidade de detetar perigos. A investigação, conduzida em novembro de 2025, revela que a maioria dos utilizadores confia no seu próprio instinto para identificar fraudes, negligenciando ferramentas de proteção essenciais.
De acordo com os dados revelados pela Kaspersky, existe um desfasamento preocupante entre a perceção de segurança e a realidade das práticas adotadas. Embora 97% dos inquiridos demonstrem estar conscientes dos riscos associados às transações digitais, apenas 42% utilizam software de segurança dedicado para proteger os seus pagamentos.
O paradoxo da “falsa sensação de segurança”
O relatório, intitulado "Spotlight on retail & e-commerce cybersecurity", destaca que 65% dos compradores online acreditam ser plenamente capazes de identificar uma burla sem ajuda externa. Estes utilizadores tendem a confiar em sinais visuais, como o design de um website ou a verificação manual da autenticidade do vendedor. No entanto, os especialistas alertam que estas "estratégias básicas" são cada vez menos eficazes num cenário de ameaças em evolução.
A situação é particularmente grave entre a faixa etária acima dos 55 anos. Apesar de ser um grupo demográfico frequentemente visado, apenas 32% destes consumidores utilizam software de proteção durante as suas compras, deixando uma porta aberta para ataques de phishing e roubo de dados financeiros.
Por outro lado, as gerações mais jovens parecem adotar uma abordagem mais social para a segurança, com 37% a afirmarem que consultam amigos e familiares antes de efetuarem uma compra em plataformas desconhecidas, uma prática menos comum entre os mais velhos (21%).
A sofisticação da Inteligência Artificial muda as regras
Um dos pontos mais críticos levantados pelo estudo é a evolução das táticas dos cibercriminosos. Olga Altukhova, analista sénior da Kaspersky, sublinha que a simples atenção aos detalhes já não é suficiente. "É particularmente preocupante que os burlões estejam agora a recorrer à IA para criar ataques de phishing mais sofisticados e direcionados, cada vez mais difíceis de detetar para utilizadores comuns", alerta a especialista.
A capacidade da inteligência artificial para gerar emails e websites fraudulentos sem os erros ortográficos ou falhas de design que antigamente denunciavam os esquemas, torna a "intuição humana" uma ferramenta de defesa falível.
Para mitigar estes riscos durante a época de saldos, recomendam-se práticas robustas de higiene digital:
Utilizar cartões virtuais ou de débito exclusivos para compras online, mantendo o cartão de crédito principal resguardado.
Nunca guardar os dados de pagamento nos websites dos comerciantes, a menos que seja estritamente necessário.
Desconfiar de promoções "relâmpago" que exijam decisões imediatas, uma tática comum para impedir a verificação da legitimidade da oferta.
Ativar a autenticação de dois fatores em todas as contas digitais.










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