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pessoas em fábrica na China

A província de Shanxi, no norte da China, tradicionalmente conhecida pelas suas vastas reservas de carvão, está a transformar-se num centro de inovação tecnológica de ponta. O "ouro negro", outrora queimado apenas para gerar energia, renasce agora através da ciência avançada sob a forma de fibra de carbono, um material vital para foguetões e naves espaciais. A cidade de Datong inaugurou recentemente uma linha de produção que marca a primeira fabricação doméstica em larga escala de fibra de carbono de grau T1000, sinalizando um ponto de viragem na capacidade do país em produzir este material de topo, segundo avança o China Daily.

Esta conquista representa um salto significativo para a indústria chinesa, que procura reduzir a dependência externa em materiais críticos. A fibra de carbono, conhecida pela sua leveza e resistência extrema, é frequentemente apelidada de "rei dos novos materiais", sendo indispensável em setores que vão desde a indústria aeroespacial até aos equipamentos desportivos de alta competição.

Uma força invisível mais resistente que o aço

Para compreender a magnitude deste avanço na tecnologia, é preciso olhar para as especificações microscópicas do material. Jing Deqi, engenheiro sénior do Instituto de Química do Carvão (ICC) da Academia Chinesa de Ciências, explica que um único filamento desta fibra tem um diâmetro de apenas 5 a 6 micrómetros. Isto equivale a menos de um décimo da espessura de um cabelo humano. No entanto, apesar da sua aparência frágil, este material oferece uma resistência à tração superior a 6.600 MPa.

Em termos práticos, isto significa que a fibra de carbono T1000 possui apenas um quarto da densidade do aço, mas é mais de cinco vezes mais forte. Um pequeno feixe deste material, com um metro de comprimento e pesando apenas 0,5 gramas, consegue suportar uma carga superior a 200 quilogramas. Estas propriedades tornam-no ideal para fabricar revestimentos resistentes ao calor para foguetões, fuselagens de aviões e até componentes para carros desportivos de luxo, onde a redução de peso é crucial para a eficiência e velocidade.

Independência e aplicações futuras

Historicamente, o mercado de fibra de carbono de alta qualidade, muitas vezes referido como "ouro negro", era dominado quase inteiramente por empresas dos Estados Unidos e do Japão. O sistema de classificação "T", utilizado globalmente, provém aliás da empresa japonesa Toray. O ICC, que foi pioneiro na investigação deste material na China desde a década de 1960, enfrentou durante anos o desafio de transpor os resultados de laboratório para a produção em massa.

O projeto em Datong, que iniciou a sua construção em 2024 numa colaboração com a Huayang Carbon Material Technology, conseguiu finalmente quebrar essa barreira. Em novembro de 2025, a linha de produção completou a verificação de operação contínua, atingindo uma capacidade anual de cerca de 200 toneladas na sua primeira fase. Zhang Shouchun, vice-diretor do ICC, destaca que esta autossuficiência irá impulsionar o desenvolvimento de cadeias industriais críticas e fomentar indústrias emergentes durante o período do 15.º Plano Quinquenal do país.

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