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Há algumas semanas, o responsável máximo do Instagram utilizou a sua própria plataforma para partilhar algumas preocupações sobre o futuro da rede social, focando-se largamente no impacto da Inteligência Artificial. Numa série de mensagens, que serviram tanto de desabafo como de aviso à navegação, o executivo alertou para a iminente onipresença da IA no Instagram. A sua mensagem para os criadores de conteúdo foi clara: a melhor forma de combater o conteúdo "inautêntico" gerado por máquinas é apostar numa voz original e verdadeira.

No entanto, a premissa de que os utilizadores procuram uma realidade "crua" em detrimento de uma falsidade polida pode estar a falhar o alvo principal. A verdade é que o Instagram já se encontra saturado de conteúdo robótico e repetitivo, mas este não é produzido por algoritmos de IA. É criado por seres humanos que, na ânsia de alimentar a plataforma, seguem fórmulas exaustivas desenhadas para manter o público a fazer "scroll", a gostar e a partilhar.

O paradoxo da autenticidade na era do algoritmo

Numa publicação recente, Adam Mosseri abordou a facilidade com que as ferramentas atuais permitem falsificar vozes e criar imagens, argumentando que a "autenticidade está a tornar-se infinitamente reproduzível". Contudo, existe uma falha fundamental nesta lógica: grande parte do conteúdo produzido por humanos na plataforma também carece de autenticidade. Esta característica não é um erro do sistema, mas sim uma funcionalidade intrínseca das redes sociais baseadas em algoritmos.

Os criadores de conteúdo aprendem rapidamente o que o algoritmo recompensa e replicam esse comportamento até à exaustão. O resultado é um feed repleto de publicações visualmente idênticas e influenciadores cujos estilos são indistinguíveis, levantando a dúvida se se trata de coincidência ou cópia. O sistema privilegia aquilo que mantém o utilizador preso ao ecrã, e não necessariamente o material mais original ou estimulante. De certa forma, foi o algoritmo que transformou os utilizadores em robôs antes mesmo da chegada da IA generativa.

A ameaça da previsão e a quantidade sobre a qualidade

O que a Inteligência Artificial faz melhor é prever padrões baseados em dados de treino. Se o conteúdo humano se tornou previsível e formuláico para satisfazer métricas, será precisamente esse o primeiro tipo de material que a IA irá substituir com eficácia. Mosseri tem razões para estar preocupado, mas a ameaça é amplificada pelo próprio modelo de negócio que a plataforma cultivou.

A tecnologia também está a evoluir para identificar estas criações. Por exemplo, os telemóveis Google Pixel 10 já aplicam credenciais de conteúdo em todas as fotografias captadas pelas suas câmaras, e não apenas nas geradas por IA, facilitando a distinção entre o real e o sintético.

Ainda assim, a estratégia de muitos utilizadores continua a ser a repetição mecânica. É comum ver vídeos republicados meses ou anos depois da sua data original (como um vídeo viral de 2024 repostado recentemente) apenas para tentar captar uma nova onda algorítmica ou angariar novos seguidores. Mesmo quem tenta ser "autêntico" acaba por ter de jogar segundo estas regras robóticas para ter visibilidade. Se o objetivo primordial do Instagram continuar a ser a apresentação de conteúdo fresco a cada abertura da aplicação para garantir o consumo contínuo, a quantidade acabará sempre por vencer a qualidade, independentemente de quem — ou o quê — está por trás da criação.




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