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hacker em frente de computador

O Chainlit consolidou-se como uma das ferramentas de código aberto mais populares para a construção de aplicações de conversação baseadas em inteligência artificial, registando uma média de 700 mil downloads mensais. No entanto, a sua ampla utilização em ambientes empresariais e académicos tornou-o um alvo apetecível para a descoberta de vulnerabilidades. Recentemente, investigadores de segurança identificaram duas falhas graves que, em conjunto, podem comprometer totalmente os servidores onde estas aplicações estão alojadas.

O perigo do "ChainLeak"

As vulnerabilidades, batizadas de "ChainLeak" pelos investigadores da Zafran Labs, destacam-se pela sua gravidade e pela facilidade de exploração, uma vez que não exigem qualquer interação por parte do utilizador para serem ativadas. Estas falhas afetam sistemas de produção expostos à internet, colocando em risco infraestruturas críticas em diversas indústrias.

A primeira falha, identificada como CVE-2026-22218, permite a leitura arbitrária de ficheiros. Através da manipulação de um endpoint específico, um atacante pode forçar o servidor a copiar qualquer ficheiro acessível para a sua sessão. Isto abre a porta ao roubo de dados extremamente sensíveis, como chaves de API, credenciais de contas na cloud, código-fonte e ficheiros de configuração interna.

A segunda vulnerabilidade, CVE-2026-22219, é um caso de falsificação de pedidos do lado do servidor (SSRF) que afeta implementações que utilizam a camada de dados SQLAlchemy. Ao manipular o campo de URL de um elemento personalizado, os atacantes conseguem obrigar o servidor a realizar pedidos externos, permitindo-lhes sondar a rede interna e aceder a serviços REST que deveriam estar protegidos.

Correção urgente já disponível

O cenário torna-se ainda mais preocupante quando estas duas falhas são combinadas. A investigação demonstrou que é possível encadear estes ataques para comprometer totalmente o sistema e realizar movimentos laterais dentro de ambientes na cloud, ampliando significativamente o impacto de uma invasão inicial.

A cronologia destes eventos aponta para uma resposta relativamente rápida. As falhas foram comunicadas aos responsáveis pelo projeto a 23 de novembro de 2025, com o reconhecimento oficial a chegar a 9 de dezembro. A solução definitiva foi disponibilizada na véspera de Natal, a 24 de dezembro de 2025, com o lançamento da versão 2.9.4 do Chainlit.

Dada a gravidade e o potencial de exploração destas vulnerabilidades em sistemas de IA, é imperativo que todas as organizações e programadores que utilizem esta estrutura atualizem imediatamente as suas instalações para a versão 2.9.4 ou superior, sendo que a versão mais recente disponível é a 2.9.6.




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