
O ano de 2025 ficará marcado na história da indústria automóvel europeia como o momento em que a eletrificação deixou de ser uma promessa para se tornar a norma dominante. Os dados mais recentes revelam que, pela primeira vez, as motorizações eletrificadas representam mais de metade de todo o mercado, num cenário onde os gigantes tradicionais e as novas potências chinesas trocam de posições a uma velocidade vertiginosa.
Segundo os dados revelados pela ACEA, foram registados 1,88 milhões de novos carros totalmente elétricos na União Europeia em 2025, o que representa um aumento impressionante de 29,9% em comparação com o ano anterior.
O fim da era da combustão pura
Os números não deixam margem para dúvidas sobre a mudança de hábitos dos condutores europeus. Enquanto os veículos elétricos a bateria (BEV) conquistaram uma quota de mercado de 17,4% — um salto considerável face aos 13,6% de 2024 —, os motores a combustão tradicional sofrem uma hemorragia de vendas. Os registos de carros a gasolina caíram 18,7%, e o gasóleo continua o seu declínio acentuado com uma queda de 26,6%.
No entanto, a transição não se faz apenas com elétricos puros. Os híbridos continuam a ser a escolha predileta de muitos consumidores, dominando 34,5% do mercado. É importante notar que esta categoria agrupa desde os "mild hybrids" até aos híbridos completos, o que ajuda a explicar a sua popularidade massiva face às opções puramente a gasolina. Já os híbridos plug-in garantiram 9,4% das vendas, superando, por si só, os carros a diesel.
A queda do gigante americano e a ameaça chinesa
Se o mercado geral cresceu, a sorte não foi distribuída de forma igual entre os fabricantes. A Tesla, outrora a líder incontestada dos elétricos, enfrentou um ano de 2025 para esquecer na Europa. A marca de Elon Musk viu os seus registos anuais caírem 37,9%, passando de mais de 242 mil unidades em 2024 para cerca de 150 mil em 2025. A sua quota de mercado no total de veículos (incluindo combustão) encolheu para 1,4%, colocando-a ao mesmo nível da Suzuki.
Em sentido inverso, a BYD continua a sua expansão agressiva. A fabricante chinesa registou um crescimento explosivo de 227,8%, atingindo as 128 827 unidades vendidas. Com a Tesla em trajetória descendente e a marca chinesa a acelerar a fundo, as previsões indicam que 2026 poderá ser o ano em que a construtora asiática ultrapassa a rival americana em solo europeu.
A análise geográfica mostra que a apetência por elétricos não é uniforme, mas é forte nos maiores mercados. A Alemanha liderou com um crescimento de 43,2% nos registos de BEV, seguida por aumentos sólidos nos Países Baixos, Bélgica e França. A Polónia destacou-se com um salto de 161,5%, duplicando a sua frota elétrica num único ano. Já fora da UE, a Noruega mantém o seu estatuto de "paraíso elétrico", e o Reino Unido consolidou-se como o segundo maior mercado europeu para esta tecnologia.










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