
A lua de mel da nova entidade americana do TikTok durou pouco. Apenas alguns dias após a ByteDance ter finalizado o acordo para separar as operações da aplicação nos Estados Unidos, o Governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou uma investigação oficial para apurar se a plataforma está a censurar conteúdos críticos ao Presidente Donald Trump.
A polémica estalou nas redes sociais e rapidamente escalou para os gabinetes do poder, levantando sérias questões sobre a liberdade de expressão e a moderação de conteúdo na nova estrutura da empresa, agora controlada maioritariamente por investidores norte-americanos.
O mistério da palavra "Epstein"
Tudo começou com uma denúncia na rede social X (antigo Twitter), onde utilizadores alegavam ser impossível enviar mensagens privadas na aplicação que contivessem a palavra "Epstein". Em resposta direta a esta situação, Gavin Newsom revelou que a sua equipa testou a alegação e confirmou o bloqueio.
Segundo declarações da equipa do governador ao Politico, ao tentarem enviar uma mensagem direta com o nome do falecido financeiro Jeffrey Epstein, receberam um aviso de que o envio não seria possível por poder violar as diretrizes da comunidade. Além disso, o gabinete de Newsom afirmou ter confirmado, de forma independente, casos em que a plataforma suprimiu conteúdos críticos em relação a Trump.
Face a estas descobertas, a equipa do Governador está a "lançar uma revisão desta conduta" e solicitou ao Departamento de Justiça da Califórnia que determine se estas práticas violam a lei estatal, conforme indicado na publicação oficial no X.
Nova gestão, velhos problemas?
Este incidente ocorre num momento crucial para a empresa. Recentemente, a ByteDance finalizou um acordo que evitou o banimento da aplicação em solo americano, criando a "TikTok USDS Joint Venture". Nesta nova entidade, a empresa chinesa detém apenas 19,9% do capital, enquanto os restantes 80% estão nas mãos de novos investidores, incluindo a Oracle, a Silver Lake e o fundo MGX dos Emirados, cada um com uma participação de 15%.
A promessa central deste acordo era que o negócio nos EUA passaria a treinar o algoritmo com dados locais e, crucialmente, ficaria encarregue da moderação de conteúdos. No entanto, logo após o anúncio da nova entidade, os utilizadores começaram a reportar problemas técnicos que afetavam o algoritmo de recomendação e outras funcionalidades.
Durante o fim de semana, surgiram também relatos de dificuldades em publicar vídeos sobre o ICE (Immigration and Customs Enforcement). A empresa, por sua vez, atribuiu estas falhas — que incluíram bugs, tempos de carregamento lentos e erros nos uploads — a um corte de energia num dos seus centros de dados nos EUA. Curiosamente, estas falhas técnicas no TikTok coincidiram com o período de transição, deixando no ar a dúvida se se trata de "dores de crescimento" da nova infraestrutura ou de uma mudança deliberada nas políticas de visibilidade da plataforma.












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