
Parece uma piada, mas é a realidade da indústria tecnológica atual: a Trump Mobile, empresa que prometeu revolucionar o mercado com um telemóvel patriótico, já está a falar no desenvolvimento de um sucessor "Ultra". O problema? O modelo original, o T1, está atrasado há cinco meses e ainda não chegou às mãos de nenhum consumidor.
Esta revelação surpreendente surgiu através de Don Hendrickson, um dos executivos de topo da empresa, numa entrevista à revista Wireless Dealer Magazine. Embora a entrevista tenha passado despercebida inicialmente, os detalhes agora revelados pelo The Verge pintam um cenário curioso de ambição desmedida face a uma ausência total de produto real.
Ambição "Ultra" sem base real
Segundo Hendrickson, a empresa está focada em evoluir com os seus clientes e o "próximo grande passo é o lançamento do T1 Ultra". O executivo descreve-o como um dispositivo premium que se baseia no "sucesso do T1 original", prometendo desempenho melhorado, funcionalidades atualizadas e o mesmo "design orgulhosamente americano".
A utilização da nomenclatura "Ultra" não é inocente. O termo tornou-se sinónimo de especificações de topo e preços elevados no mundo Android, popularizado pela Samsung e adotado por outras marcas como a Xiaomi. Normalmente, estes modelos incluem os processadores mais recentes e sistemas de câmaras avançados, custando muito acima dos 1000 euros.
No entanto, a Trump Mobile promete este salto qualitativo partindo de uma base, o T1, que deveria custar cerca de 499 dólares (aproximadamente 470 euros) e cujas especificações, como o chipset, permanecem um mistério. A promessa de "novos níveis de produto" sugere que a marca quer competir em vários segmentos de preço, mesmo sem ter provado que consegue fabricar um único dispositivo.
Sucesso imaginário e atrasos reais
A afirmação mais intrigante de Hendrickson é a de que o novo modelo se baseia no "sucesso" do original. Atualmente, o Trump Mobile T1 não existe no mercado. O telemóvel falhou a data de lançamento, acumula um atraso de cinco meses e já levou legisladores democratas a pedir uma investigação à Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA.
A empresa aceitou depósitos de 100 dólares para pré-reservas, mas não se sabe quantos foram feitos nem quando (ou se) os clientes receberão algo em troca. Além disso, a insistência no "design orgulhosamente americano" levanta questões sobre a produção real do equipamento, que, tal como a maioria dos eletrónicos, deverá depender de cadeias de fornecimento asiáticas.
Outro pormenor que salta à vista é a utilização do símbolo "SM" (marca de serviço) em vez do tradicional de marca registada ou "TM" no site da empresa. Isto indica que a marca registada para a indústria móvel foi requerida, mas ainda não foi aprovada, reforçando a ideia de que a Trump Mobile opera, por enquanto, mais no campo das ideias e do marketing do que na realidade tangível da tecnologia de consumo.










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