
O documentário "Melania", focado na Primeira Dama Melania Trump, está a protagonizar um caso curioso nas bilheteiras norte-americanas. Embora os números de estreia tenham superado as expectativas iniciais dos analistas, o projeto está longe de ser rentável para a gigante tecnológica que o financiou, levantando questões sobre as verdadeiras motivações por trás do negócio.
Segundo os dados mais recentes, o filme deverá fechar o seu fim de semana de estreia com uma receita de 7,04 milhões de dólares (cerca de 6,4 milhões de euros). Este valor, embora acima dos 3 a 5 milhões previstos, coloca o documentário apenas em terceiro lugar na tabela, ficando atrás do thriller "Send Help" e da adaptação do videojogo "Iron Lung", produzida pelo famoso YouTuber Markiplier.
Um investimento astronómico com retorno duvidoso
O grande problema para a Amazon não está na receita, mas sim na despesa. A empresa pagou uns impressionantes 40 milhões de dólares para adquirir os direitos do filme e, alegadamente, investiu outros 35 milhões na sua promoção. Com um custo total a rondar os 75 milhões de dólares, as receitas de bilheteira são apenas uma gota no oceano, tornando praticamente impossível que o filme dê lucro nas salas de cinema.
Esta disparidade financeira gerou críticas na indústria. Ted Hope, um antigo executivo da Amazon, questionou publicamente a lógica do negócio, sugerindo que a aquisição poderá ter menos a ver com cinema e mais com política. A oferta da Amazon superou a da Disney em 26 milhões de dólares, o que levou alguns observadores a especular se este movimento não seria uma forma de "ganhar favores" junto da administração Trump.
Polémicas, más críticas e o futuro no streaming
Para além das questões financeiras, o filme está envolto em controvérsia. É a primeira obra realizada por Brett Ratner desde 2017, altura em que enfrentou várias acusações de má conduta sexual. O ambiente em torno da produção é tal que, segundo relatos, dois terços da equipa técnica de Nova Iorque pediram para não ver os seus nomes nos créditos finais.
Apesar da presença de figuras de peso como Tim Cook, CEO da Apple, numa exibição privada na Casa Branca, a crítica especializada não foi branda. O documentário acumula classificações negativas nos agregadores de críticas, sendo descrito como uma crónica cuidadosamente encenada da vida da Primeira Dama.
Ainda assim, a estratégia parece ir além das salas de cinema. Kevin Wilson, responsável pela distribuição da Amazon MGM, afirmou à Variety que este fim de semana é apenas "um primeiro passo importante". A empresa prevê uma "vida longa" para o conteúdo no serviço de streaming Prime Video, onde o documentário e uma futura série documental poderão encontrar o seu verdadeiro público, independentemente dos resultados de bilheteira.










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