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bandeira de pirataria

Será que fechar os grandes portais de downloads ilegais resolve realmente o problema, ou apenas empurra os utilizadores para outras "esquinas" da internet? Um novo estudo académico, realizado por investigadores da Universidade de Chapman e da Carnegie Mellon, debruçou-se sobre esta questão complexa, analisando o encerramento do icónico portal brasileiro MegaFilmesHD. A conclusão é agridoce para a indústria: o fim do site aumentou o consumo legal, mas também disparou o tráfego para a concorrência ilegal.

Em novembro de 2015, a Polícia Federal do Brasil lançou a "Operação Barba Negra", que resultou no desmantelamento do MegaFilmesHD.net. Na altura, este era o site de pirataria mais popular da América Latina, acumulando cerca de 60 milhões de visitas mensais. O seu sucesso não se devia apenas à gratuitidade, mas à conveniência que oferecia face às alternativas legais da época, incluindo legendas e dobragens localizadas.

O efeito "Hidra": Corta-se uma cabeça, nascem outras

A análise dos dados de navegação de milhares de utilizadores, antes e depois do encerramento, revelou um fenómeno curioso. O estudo concluiu que os utilizadores habituais do MegaFilmesHD não abandonaram os seus hábitos da noite para o dia. Pelo contrário, houve um aumento de 20% nas visitas a outros sites de pirataria.

Mais impressionante ainda foi o nível de "dedicação" destes utilizadores. O tempo despendido nestes sites alternativos aumentou uns expressivos 61%. Isto sugere que, sem a conveniência do seu portal favorito, os utilizadores tiveram de gastar muito mais tempo a procurar os filmes e séries que queriam ver noutras plataformas ilegais, fragmentando a audiência mas não a eliminando.

A vitória parcial do streaming legal

Apesar da persistência do mercado paralelo, a indústria do entretenimento teve motivos para sorrir. O estudo confirmou que existe uma relação causal entre o encerramento de grandes sites ilegais e a adesão a serviços pagos. No período que se seguiu à operação policial, registou-se um aumento de 6% nas visitas à Netflix e um crescimento de 11% no tempo passado na plataforma.

Os dados indicam que muitos utilizadores, confrontados com o fim do serviço gratuito e fácil, optaram pela via mais cómoda: pagar por um serviço legal. No entanto, esta transição não foi uniforme e dependeu muito da carteira de cada um.

bandeira de pirataria

O fator económico e de género

O estudo, apelidado informalmente de "The Equalizer", destaca que a decisão entre "tornar-se legal" ou "continuar pirata" depende fortemente de fatores demográficos e económicos. Estudantes e desempregados mostraram-se muito menos propensos a subscrever a Netflix após o encerramento do site, indicando que o preço continua a ser a barreira principal.

Curiosamente, o género também desempenhou um papel relevante. A investigação apurou que as mulheres tinham maior probabilidade de abandonar a pirataria ou migrar para serviços legais após o "apagão". Já os homens demonstraram uma tendência para persistir na ilegalidade, procurando ativamente novas fontes gratuitas.

Em suma, embora as ações policiais tenham um impacto positivo na conversão de utilizadores para serviços legais, elas não são uma "bala de prata". Sem alternativas legais acessíveis para as camadas mais jovens ou com menos poder de compra, o encerramento de um site acaba muitas vezes por ser apenas mais uma ronda no eterno jogo do gato e do rato, tal como detalhado na análise original do TorrentFreak.




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