
O mundo do código aberto não dorme e a próxima grande versão do kernel está prestes a definir as bases para o hardware que ainda nem sequer chegou às prateleiras. A janela de integração para o Linux 7.0 recebeu uma das suas atualizações mais significativas no que toca ao subsistema gráfico, prometendo compatibilidade desde o primeiro dia para a próxima geração de placas gráficas e processadores.
Dave Airlie, o responsável pela manutenção do subsistema DRM (Direct Rendering Manager), submeteu oficialmente o pull request que traz alterações profundas para os "três grandes" do silício: AMD, Intel e NVIDIA, além de novidades importantes para o mundo móvel.
AMD, Intel e NVIDIA: O que muda no teu PC
Esta atualização não é apenas uma correção de erros; é uma preparação de terreno para 2026 e 2027. Do lado da AMD, o foco está na habilitação de novos blocos de propriedade intelectual (IP), especificamente o suporte para GC 12.1 e SDMA 7.1. Na prática, isto sugere que a equipa vermelha está a ultimar os preparativos para uma atualização da arquitetura RDNA ou para uma nova linha de APUs móveis de alto desempenho, garantindo que os utilizadores de Linux não terão de lidar com drivers instáveis no lançamento.
Para os utilizadores da Intel, as novidades são igualmente robustas. O driver "xe", que sucede ao histórico i915 para hardware moderno, recebeu melhorias substanciais na virtualização (SR-IOV). Isto significa que dividir uma única placa gráfica entre várias máquinas virtuais será muito mais eficiente, uma funcionalidade crítica para servidores e utilizadores avançados. Além disso, já existe código inicial para a arquitetura de visualização Xe3_LPD, apontando para os sucessores dos chips Lunar Lake e Panther Lake.
Talvez a mudança mais interessante venha do lado da NVIDIA no ecossistema open-source. O driver experimental "Nova", escrito na linguagem Rust, recebeu suporte inicial para lidar com o firmware da arquitetura Turing (série RTX 20). Este é um passo vital para utilizar o GSP (GPU System Processor) da marca, movendo a complexidade do driver para o próprio firmware da placa e prometendo um futuro mais seguro e performático para estas GPUs no pinguim.
Aposta na Qualcomm e datas de lançamento
O setor móvel e a arquitetura ARM também receberam atenção redobrada. O driver MSM, focado na Qualcomm, adicionou suporte para a plataforma com o nome de código "Kaanapali", que tudo indica ser o futuro Snapdragon 8 Gen 5 ou uma variante destinada a computadores pessoais. Paralelamente, o driver Panthor para GPUs Mali recebeu otimizações na gestão de memória para aumentar o desempenho.
Para os entusiastas que querem saber quando poderão testar estas novidades, a espera não será longa. O lançamento estável do Kernel 7.0 está previsto para meados de abril de 2026. No entanto, a maioria dos utilizadores comuns só deverá ver estas alterações implementadas nas suas distribuições favoritas mais tarde. As distribuições "Rolling Release" como o Arch deverão receber a atualização em maio, enquanto os utilizadores de sistemas como o Ubuntu terão de aguardar pela versão 26.10 ou pelo Fedora 44, previstos para a segunda metade do ano, para terem este suporte "fora da caixa".












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