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Cloudflare com code

Quando os agentes de inteligência artificial analisam um site, não veem o design cuidado ou as cores escolhidas. A sua leitura baseia-se na análise do HTML e da árvore de acessibilidade, removendo toda a camada visual para extrair o conteúdo. O grande obstáculo é que grande parte do código de uma página web serve precisamente para fins visuais e estruturais, criando um peso desnecessário para estas ferramentas.

Um simples cabeçalho formatado em Markdown custa cerca de 3 tokens num modelo de IA. A sua versão equivalente em HTML, carregada de classes e identificadores, consome entre 12 a 15 tokens. Se multiplicarmos este valor por todas as barras de navegação, scripts e blocos de código que compõem uma página comum, o desperdício de recursos atinge valores consideráveis. Para resolver este problema de eficiência, a Cloudflare decidiu atuar diretamente ao nível da infraestrutura.

O peso invisível do código nas páginas web

A Cloudflare anunciou a funcionalidade Markdown for Agents, que converte o HTML tradicional para o formato Markdown em tempo real, diretamente na sua rede de distribuição de conteúdos (CDN). Quando um agente artificial solicita uma página e inclui o cabeçalho Accept: text/markdown, o sistema interceta o pedido, obtém o HTML do servidor original e devolve uma versão limpa em Markdown. Tudo isto acontece de forma automática, sem exigir alterações ao código do site por parte dos programadores.

O impacto desta otimização é imediato. Num teste realizado no próprio blogue da empresa, um artigo passou de 16.180 tokens em HTML para apenas 3.150 em Markdown, o que representa uma redução de 80% no consumo de tokens. Para sistemas que processam milhões de páginas, isto traduz-se numa poupança significativa de custos e numa menor latência. A resposta inclui ainda um cabeçalho x-markdown-tokens com a estimativa do peso do ficheiro, permitindo aos agentes gerir melhor a sua janela de contexto, além de metadados estruturados em YAML com o título, descrição e imagem de destaque.

Segundo os dados da plataforma Cloudflare Radar, o tráfego de bots artificiais já se divide entre 75,2% em HTML, 8,4% em Markdown e 7% em JSON. Agentes de programação como o Claude Code e o OpenCode já efetuam pedidos utilizando este novo padrão de cabeçalho, provando que a procura por formatos simplificados é real.

Conversão automática e uma nova era de consentimento

Para além da conversão de formato, a funcionalidade introduz uma camada importante de controlo para os criadores de conteúdo através dos Content Signals. Cada resposta em Markdown inclui cabeçalhos de consentimento que indicam como a informação pode ser utilizada pelas máquinas.

Estes sinais dividem-se em três categorias: search (autoriza a indexação tradicional para pesquisa), ai-input (permite o uso para respostas em tempo real e geração de texto) e ai-train (autoriza o uso da página para treinar e refinar modelos de linguagem). Este sistema legível por máquinas oferece um controlo muito mais granular do que o tradicional ficheiro robots.txt, que não foi desenhado para distinguir entre a indexação num motor de busca e o treino de um modelo de linguagem.

Apesar da solução da Cloudflare atuar em grande escala, existe o desafio da descoberta: o agente precisa de pedir proativamente a versão Markdown sem saber se a mesma está disponível. Para colmatar esta falha, desenvolvedores como Joost de Valk criaram soluções para plataformas como o WordPress, inserindo tags que anunciam aos agentes a existência de um URL dedicado com a versão em Markdown. As duas abordagens acabam por se complementar perfeitamente.

Enquanto a otimização de conteúdo resolve a forma como os agentes leem a internet, a interação ativa com os sites dependerá de novos padrões emergentes, como o WebMCP. Esta transição para uma web partilhada entre humanos e máquinas está a acontecer de forma célere e sustentada, tal como sublinhado pelo No Hacks Podcast.

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