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A Apple enfrenta um novo processo judicial nos Estados Unidos relacionado com o seu serviço iCloud e a alegada disseminação de material de abuso sexual infantil. A ação foi entregue na quinta-feira pelo procurador-geral da Virgínia Ocidental, JB McCuskey. A acusação defende que a empresa tecnológica saberia da dimensão do problema há vários anos, mas não aplicou as medidas adequadas para impedir o armazenamento e a distribuição deste tipo de conteúdos.

Mensagens internas e falta de denúncias

O processo avança com comunicações internas de executivos da companhia, datadas de 2020, que indicam que a administração reconhecia o uso do iCloud para a partilha destes materiais ilegais. Estas mensagens demonstram também uma preocupação interna em priorizar a privacidade em detrimento da segurança dos menores.

A ação judicial aponta ainda que a marca subnotificou os incidentes ao National Center for Missing and Exploited Children. Durante o ano de 2023, foram reportados apenas 267 casos, um número consideravelmente inferior aos relatórios submetidos pela Google e pela Meta no mesmo espaço de tempo. A decisão tomada em 2022 de abandonar o desenvolvimento de um sistema próprio para analisar e detetar imagens ilegais nos seus servidores é igualmente criticada, com a acusação a argumentar que a ausência desta ferramenta permitiu que a distribuição continuasse.

O embate entre a encriptação e a segurança

A proteção avançada de dados da empresa, que garante a encriptação de ponta a ponta no armazenamento na nuvem, é outro dos alvos da queixa. As autoridades argumentam que este mecanismo cria obstáculos significativos às investigações policiais e à identificação dos criminosos.

Em resposta, a tecnológica afirmou que a privacidade e a segurança continuam a guiar as suas decisões, particularmente na proteção das crianças. A marca destacou a eficácia das suas funcionalidades de segurança de comunicação, ativas por predefinição nas contas de menores, que conseguem detetar nudez em mensagens, fotografias partilhadas, transferências por AirDrop e chamadas no FaceTime.

Este processo, registado no Tribunal do Condado de Mason a 19 de fevereiro, insere-se no debate contínuo entre os defensores da privacidade digital através da encriptação e as autoridades que exigem ferramentas para o combate ao cibercrime. O resultado desta ação poderá moldar as futuras regras de segurança nos serviços na nuvem, conforme as informações partilhadas pela CNET.

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