
As organizações em todo o mundo estão a carregar no acelerador do investimento tecnológico, mas a maioria ainda não tem a estrada pavimentada para ver os resultados. De acordo com o estudo Global Tech Report 2026, publicado pela KPMG, existe um desequilíbrio evidente entre os desejos dos executivos e a maturidade real das empresas. Enquanto metade dos líderes acredita que vai atingir o topo da maturidade tecnológica até ao final de 2026, apenas 11% afirma estar nesse nível atualmente.
Esta diferença mostra que a transformação digital já não é uma escolha, mas sim um fator de sobrevivência num mercado cada vez mais competitivo. Rui Gonçalves, responsável pela área de consultoria tecnológica da multinacional em solo nacional, explica que o momento é decisivo. Segundo o especialista, não basta comprar ferramentas novas; é preciso garantir que as bases, como a arquitetura e a governação, permitem que a tecnologia cresça de forma sustentável e com impacto real no negócio.
A transição dos agentes de IA para o dia a dia empresarial
Um dos grandes destaques do relatório é a evolução da inteligência artificial. A fase das experiências ficou para trás e a IA está agora a tornar-se parte essencial das operações. O estudo revela que 88% das empresas já investe nos chamados agentes de IA, que são capazes de realizar tarefas de forma autónoma dentro dos sistemas. É o início de uma era onde esta tecnologia funciona como uma verdadeira força de trabalho digital.
Contudo, este avanço traz dores de crescimento. Embora 74% das organizações admitam que a tecnologia já cria valor, apenas 24% conseguem provar o retorno financeiro em vários casos de uso. O problema parece estar na medição: quase 60% dos executivos consideram que as métricas tradicionais já não servem para avaliar o sucesso destes projetos, e muitos sentem dificuldade em explicar o valor dos mesmos aos acionistas.
Os obstáculos do talento especializado e da dívida técnica
Apesar da vontade de inovar, existem travões difíceis de ignorar. Mais de metade das empresas reconhece que ainda não tem as pessoas com as competências certas para concretizar os seus planos. Além disso, 63% dos líderes admite que o custo para resolver problemas em sistemas antigos, a chamada dívida técnica, está a impedir que o dinheiro seja aplicado em novos investimentos.
Para ganhar velocidade, muitas organizações estão a facilitar em áreas críticas. Cerca de 69% admite ter feito compromissos na segurança ou na normalização de dados para reduzir custos imediatos, o que pode aumentar os riscos a médio prazo.
Embora o relatório analise dados de 27 países, estas conclusões são fundamentais para as empresas em Portugal. O tecido empresarial português enfrenta desafios de produtividade e falta de talento especializado, o que torna o equilíbrio entre a ambição e a execução ainda mais sensível. A mensagem final é clara: sem uma base sólida de dados e uma governação rigorosa, a corrida tecnológica pode agravar os riscos operacionais em vez de aumentar a competitividade.












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