
A subida de preços no mercado da memória, que teve início no final de outubro de 2025, não está a afetar apenas os computadores. O impacto já chegou ao segmento das consolas e a Nintendo Switch 2 é um dos exemplos mais evidentes desta realidade. Embora a marca japonesa tenha cumprido a promessa de manter o preço da sua nova consola inalterado, os custos associados ao armazenamento não param de aumentar, forçando os utilizadores a mudarem os seus hábitos de consumo.
O impacto do preço do armazenamento nos videojogos
A forte procura impulsionada pela inteligência artificial levou a um desequilíbrio no mercado, encarecendo a produção de componentes como SSDs e NAND Flash. No caso específico da consola da Nintendo, as mais rápidas e dispendiosas placas microSD Express estão no centro do problema. Após um aumento de mais de 30% no último trimestre de 2025, as previsões apontam para que os contratos de memória NAND Flash subam uns impressionantes 90% neste primeiro trimestre de 2026.
Este cenário reflete-se diretamente na atitude dos jogadores. O utilizador Shinsuke Hasegawa ilustra bem esta mudança, revelando que antes adquiria vários títulos sem se preocupar com o espaço disponível, mas agora compra apenas os jogos que tem a certeza absoluta de que vai jogar de imediato. O hábito de acumular promoções na biblioteca parece estar a perder força devido à falta de espaço acessível.
Os valores praticados no mercado confirmam esta dificuldade. Marcas como a Nextorage Corp. comercializam cartões microSD Express de 256 GB por 85 dólares (cerca de 81 euros), um valor 30% superior ao praticado há alguns meses. Este aumento sente-se a nível global, afetando os mercados europeu e americano, onde os recentes aranceles de importação aplicados por Donald Trump agravam ainda mais a situação. Para tentar combater a escalada de preços, a fabricante da consola disponibiliza os seus próprios cartões por cerca de metade do valor e tem negociado com os retalhistas para reduzirem as margens de lucro nos dispositivos de armazenamento.
Vendas de consolas em alta, jogos em queda
Apesar destas medidas, o mercado financeiro tem refletido a turbulência do setor. Após o lançamento do equipamento em junho de 2025, as ações da Nintendo valorizaram até 40% nos meses seguintes. No entanto, uma queda acentuada iniciada em dezembro arrastou-se pelos meses de janeiro e fevereiro, acumulando perdas na ordem dos 20%. A Sony experienciou flutuações semelhantes, embora se mantenha estável durante o início de 2026.
O verdadeiro contraste nota-se no desempenho comercial. A adoção do hardware tem sido um sucesso estrondoso, com mais de 17 milhões de unidades comercializadas até ao final de dezembro, superando a adoção inicial da sua antecessora. Contudo, o impacto da falta de armazenamento reflete-se na venda de software. No mesmo período, foram vendidas apenas 2,18 milhões de cópias de videojogos para a nova plataforma. Em termos comparativos, na época equivalente do ciclo de vida da primeira Switch, esse número situava-se nos 3,88 milhões de cópias, evidenciando uma quebra acentuada, conforme detalhado na publicação original da Bloomberg.












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