
A The Document Foundation, responsável pelo LibreOffice, encontrou um novo alvo para as suas críticas: a Comissão Europeia. Segundo uma publicação partilhada no blog oficial da fundação, a entidade europeia está a ser acusada de um viés estrutural na forma como recolhe a opinião pública para a nova Lei de Resiliência Cibernética.
A contradição da legislação europeia
A nova lei, conhecida oficialmente como Regulamento (UE) 2024/2847, é um pacote abrangente de regras que exige padrões rigorosos de cibersegurança para quase todos os produtos digitais vendidos na Europa. Um dos grandes objetivos desta medida passa por incentivar as empresas a adotar normas abertas e a reduzir a dependência de tecnologias fechadas e de fornecedores específicos.
A contradição que gerou a revolta surge no método escolhido para recolher comentários sobre estas mesmas diretrizes. A 3 de março de 2026, a Comissão Europeia lançou um pedido de feedback público, mas exige que as respostas sejam submetidas através de uma folha de cálculo no formato proprietário .xlsx, pertencente ao Microsoft Excel. A fundação aponta que este tipo de formato dificulta imenso a interoperabilidade, muito devido às suas características não documentadas e em constante mudança.
O pedido por formatos livres e o histórico de críticas
Numa carta dirigida à comissão, a The Document Foundation pede o apoio de outras organizações de software livre e de código aberto. O argumento central é que os cidadãos que utilizam alternativas gratuitas podem enfrentar sérios problemas de compatibilidade com o documento fornecido para dar a sua opinião. A fundação apela a que a entidade europeia dê o exemplo e cumpra as suas próprias orientações de soberania digital, disponibilizando, no mínimo, um ficheiro no formato ODF lado a lado com a versão proprietária, ou mesmo um formulário simples num formato de texto ou via web.
A Comissão Europeia é já o terceiro grande alvo da fundação apenas este ano. Anteriormente, a entidade tinha criticado duramente o OnlyOffice, acusando a plataforma de ser um projeto de código aberto falso por dar prioridade aos formatos populares da Microsoft em vez do padrão ODF. Além disso, a The Document Foundation também afirmou recentemente que os utilizadores que acreditam que o Office original é superior apenas o fazem porque estão psicologicamente habituados à sua interface visual, que foi normalizada de forma agressiva ao longo de décadas no mercado.












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