
A Intel está a preparar um aumento na ordem dos 10% nos preços dos seus processadores de consumo para computador. De acordo com as informações reveladas pelo portal sul-coreano ETNews, a fabricante já notificou os seus principais clientes sobre esta subida, que terá efeitos práticos já a partir do final deste mês de março de 2026.
A justificação principal para este encarecimento prende-se com a pressão nos custos e na cadeia de fornecimento, fortemente impulsionada pelo crescimento explosivo das infraestruturas dedicadas à inteligência artificial. Este setor específico está a absorver a grande velocidade a capacidade de produção e de memória das fábricas.
O impacto da inteligência artificial na produção
Já em fevereiro deste ano, tanto a Intel como a AMD tinham alertado os seus clientes no mercado chinês para atrasos significativos na entrega de chips para servidores. Os tempos de espera chegaram a atingir os seis meses em certos casos, acompanhados de subidas de preço superiores a 10% em produtos específicos.
A tecnológica reconheceu que a rápida adoção de soluções de IA está a forçar a procura no segmento da computação tradicional. A expectativa da empresa é atingir o ponto mais baixo de inventário durante este primeiro trimestre de 2026, antecipando uma melhoria gradual ao longo do segundo trimestre do ano.
Portáteis vão sofrer os maiores agravamentos
O aumento nos processadores junta-se a uma escalada generalizada de preços noutros componentes essenciais do mercado de hardware. Memória RAM, unidades SSD, placas gráficas e até sistemas de refrigeração e fontes de alimentação já registaram encarecimentos recentes. Para a segunda metade do ano, prevê-se um novo agravamento nos custos da RAM e do armazenamento de estado sólido.
Neste cenário, os computadores portáteis serão as máquinas mais afetadas, uma vez que integram todos estes componentes encarecidos num único produto. Estima-se que um portátil convencional, habitualmente comercializado na casa dos 835 euros (cerca de 900 dólares), possa vir a necessitar de um aumento a rondar os 40% para que as marcas consigam manter as suas margens de lucro, atirando o valor final para perto dos 1165 euros. A fabricante norte-americana já tinha inflacionado em mais de 15% o valor de vários processadores de gama de entrada e de gerações anteriores para portáteis, com novos aumentos agora previstos para a gama média e média-alta.
A consultora TrendForce já tinha antecipado esta tendência de mercado, e a distribuidora britânica Distec confirmou recentemente que os parceiros foram notificados de uma subida adicional nos componentes de consumo a partir de 29 de março de 2026. Esta medida afeta uma ampla variedade de linhas, incluindo Core, Core Ultra, Xeon e plataformas integradas.
Prioridade absoluta para os centros de dados
Tal como acontece com a memória DRAM, cuja produção normal foi reduzida para dar prioridade ao fabrico da muito mais rentável memória HBM, o mercado de processadores segue agora o mesmo rumo. A produção está a ser massivamente direcionada para os chips de servidor, que garantem margens de lucro substancialmente maiores.
Em declarações à Reuters, a empresa admitiu ter sido surpreendida com o pico de procura por hardware de servidor ligado à IA, revelando incapacidade para cobrir todas as encomendas do mercado, mesmo operando na capacidade máxima de produção. O planeamento fabril não estava ajustado para uma mudança tão abrupta e exigente no setor dos centros de dados.
Segundo informações do portal CRN, esta conjuntura levou a administração a dar prioridade máxima ao fabrico de material para servidores sempre que a alocação de recursos o permita. No que diz respeito ao mercado de consumo doméstico, o foco das linhas de montagem passará a estar centrado nas gamas média e alta.












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