
A escassez de memória DRAM está a forçar uma mudança drástica no mercado, com as gigantes tecnológicas a pagar milhares de milhões de euros por componentes que ainda nem sequer foram fabricados. Segundo relata o Wccftech, o setor deixou de funcionar de forma cíclica e trimestral para adotar uma estratégia de contratos a longo prazo, tudo devido à necessidade de garantir o funcionamento das infraestruturas de inteligência artificial.
O fim dos contratos trimestrais
Jun Young-hyun, co-CEO da Samsung, confirmou que a empresa está a trabalhar com grandes clientes para transitar de acordos trimestrais ou anuais para contratos de três a cinco anos. O objetivo é reduzir a volatilidade do negócio num período que a marca descreve como um superciclo impulsionado pela inteligência artificial. Relatórios do setor, citados pela TrendForce, indicam que a fabricante sul-coreana tem estado em negociações com a Google e a Microsoft, estabelecendo volumes para vários anos e potenciais pagamentos adiantados que ultrapassam os 10 mil milhões de dólares (cerca de 9,2 mil milhões de euros).
A Micron também partilhou uma visão semelhante nos seus resultados financeiros de 18 de março. A fabricante norte-americana confirmou a assinatura do seu primeiro acordo estratégico a cinco anos com um cliente, salientando que existe uma restrição estrutural de oferta. Para dar resposta a esta procura, a empresa vai elevar o seu investimento para mais de 25 mil milhões de dólares em 2026, com previsões de aumentos adicionais para 2027.
Escassez de memória pode durar até 2030
A situação não parece ter um fim à vista a curto prazo, contrariando as previsões iniciais de que a normalização aconteceria em 2027. Chey Tae-won, presidente do SK Group, avisou que a atual escassez pode prolongar-se até ao ano 2030. Com uma falha de oferta superior a 20% e a necessidade de quatro a cinco anos para criar nova capacidade de produção, a indústria enfrentará memórias mais caras durante um longo período.
Esta mudança de paradigma garante fundos antecipados aos fabricantes para expandirem as suas instalações em segurança, ao mesmo tempo que assegura o fornecimento de memória RAM para os centros de dados de inteligência artificial. Como consequência direta, o mercado de computadores, telemóveis e outros produtos de consumo eletrónico poderá ficar relegado para segundo plano.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!