
Donald Trump lançou um sério aviso a Ursula Von Der Leyen e aos líderes da União Europeia: qualquer país que aplique impostos sobre os serviços digitais de tecnológicas norte-americanas enfrentará tarifas de 100% sobre todos os bens exportados para os Estados Unidos, segundo os detalhes avançados pela Reuters. Esta escalada na guerra comercial cruza-se com a recente entrada em cena do Euro digital, o que gera o receio de que a suposta defesa de gigantes como a Google ou a Amazon seja apenas uma forma de pressionar os reguladores europeus face ao impacto do novo ecossistema financeiro nas redes da Visa e Mastercard.
O fim das tréguas nos acordos comerciais
A declaração afasta o cenário de retaliações cirúrgicas e aponta para uma resposta comercial total por parte de Washington. A ameaça abrange todos e quaisquer produtos enviados para o mercado norte-americano, ignorando acordos previamente firmados que limitavam as taxas alfandegárias a 15% em troca da isenção europeia sobre bens industriais dos EUA.
Para a economia da Península Ibérica, onde Portugal e Espanha mantêm fortes exportações de vinhos, azeite, calçado e maquinaria para o outro lado do Atlântico, a concretização desta medida representaria um bloqueio quase total a estes setores, forçando as empresas a procurar alternativas num mercado global já instável.
A posição firme de França e Espanha
A raiz do problema reside na obsolescência das leis fiscais tradicionais face à economia da internet. Os governos europeus defendem que as grandes plataformas faturam quantias astronómicas através de publicidade, venda de dados e comissões em marketplaces locais, muitas vezes sem a correspondente presença física e recorrendo a manobras de engenharia fiscal para minimizar os impostos pagos.
França tem liderado esta ofensiva, aplicando desde 2019 uma taxa de 3% sobre as receitas digitais de empresas que faturem mais de 25 milhões de euros localmente e 750 milhões a nível mundial, existindo propostas ativas no parlamento francês para duplicar este valor para os 6%. Com países como Espanha, Áustria e Reino Unido também visados de perto pelo departamento de comércio norte-americano, o braço de ferro entre a tentativa de justiça fiscal europeia e o protecionismo de Trump eleva o risco de uma fratura económica de grandes proporções.












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