
A Guarda Revolucionária do Irão lançou um aviso claro aos Estados Unidos: caso a sua infraestrutura energética seja atacada, o centro de dados da OpenAI em Abu Dhabi será um dos alvos de retaliação. Esta escalada de tensão coloca as instalações tecnológicas e de telecomunicações associadas a interesses norte-americanos e israelitas na região sob ameaça direta, conforme detalhado numa publicação no X.
A situação no Médio Oriente já está a afetar gigantes da tecnologia. A Amazon enfrenta dificuldades operacionais com a sua infraestrutura AWS, que registou ataques de drones e incêndios em março no Barém e nos Emirados Árabes Unidos. Estas disrupções continuaram no fim de semana passado, com novos incidentes ligados a atividade aérea na zona, afetando até os sistemas de água usados para mitigar os fogos nas instalações.
O projeto Stargate e a expansão da inteligência artificial
A escolha da OpenAI como alvo não é um mero acaso. Está diretamente ligada ao projeto Stargate, uma iniciativa colossal dos Estados Unidos que envolve investimentos na ordem dos 460 mil milhões de euros para garantir o domínio global na inteligência artificial. Este consórcio junta nomes de peso como a Nvidia, Oracle, Cisco e Softbank, em colaboração com a G42, um grupo tecnológico dos Emiratos Árabes Unidos.
O projeto materializa-se no Stargate UAE, um supercomputador de um gigawatt em Abu Dhabi, cuja primeira fase de 200 megawatts arranca este ano. Com um custo de construção de cerca de 27,6 mil milhões de euros, esta assume-se como a maior infraestrutura de inteligência artificial fora do território norte-americano, o que a converte num alvo estratégico de elevado valor militar e geopolítico.
Casa Branca em alerta máximo
No início desta semana, a agência Reuters revelou que a Casa Branca está preparada para intercetar potenciais investidas iranianas. A Guarda Revolucionária estendeu as suas ameaças a um vasto leque de empresas com interesses na região a partir de 1 de abril, numa lista que inclui a Apple, Google, Microsoft, Intel, Tesla e Boeing, além da parceira G42.
Este cenário evidencia uma mudança clara de paradigma a nível global. A inteligência artificial e as infraestruturas na nuvem deixaram de ser apenas uma corrida tecnológica e industrial para se tornarem ativos críticos. Com as tensões a prolongarem-se, as operações de infraestruturas comerciais de grande escala na região correm o risco de se tornarem alvos colaterais recorrentes no conflito.












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