
As primeiras imagens do lançamento da Artemis II revelaram um detalhe curioso a flutuar no interior da nave espacial: um telemóvel da Apple. A agência espacial norte-americana é conhecida pelas suas regras rigorosas quanto aos equipamentos que os astronautas podem levar para o espaço, mas a viagem em redor da Lua marca a primeira vez que a tripulação tem permissão para utilizar estes dispositivos. De acordo com informações avançadas pelo New York Times e reforçadas pelo AppleInsider, o equipamento teve de ultrapassar um longo processo de certificação para garantir a segurança da missão.
O rigoroso processo de certificação espacial
O procedimento para aprovar o telemóvel de topo da marca foi bastante demorado e complexo. Tobias Niederwieser, professor assistente de investigação na BioServe Space Technologies, explicou que o processo se divide em quatro fases distintas. A primeira envolve a passagem por um painel de segurança para verificações iniciais do hardware. Na segunda etapa, a agência procura potenciais perigos, como peças móveis ou materiais que se possam estilhaçar, sendo o vidro uma das principais preocupações.
A terceira fase tem como objetivo delinear planos para contornar os problemas identificados anteriormente. Por fim, a quarta etapa foca-se em testar e confirmar se essas soluções funcionam na prática. Esta abordagem minuciosa contrasta com a habitual lentidão da agência na aprovação de novo hardware, visto que, para a mesma missão, a mais recente câmara autónoma aprovada foi uma DSLR da Nikon de 2016, acompanhada por algumas câmaras de ação com uma década de existência.
Os perigos do vidro em microgravidade
A necessidade destes testes rigorosos prende-se com a proteção da tripulação e da própria nave. Num ambiente terrestre com gravidade, o vidro partido cai no chão, onde os utilizadores estão protegidos pelo calçado. No entanto, no espaço, os fragmentos flutuariam livremente pelo ar. Estas partículas poderiam atingir o rosto dos astronautas ou infiltrar-se em equipamentos sensíveis, causando bloqueios ou interferindo com os movimentos de outras máquinas essenciais para a vida a bordo.
Para além do perigo físico imediato caso um dispositivo se parta num ambiente de microgravidade, existe ainda a preocupação com a exposição à radiação a que o hardware está sujeito no espaço. Como a vida da tripulação depende de vários sistemas eletrónicos, tudo tem de ser testado repetidamente para garantir que não falha, o que justifica a utilização continuada de processadores mais antigos, mas provados à exaustão, em órbita.
A função do telemóvel na missão
A fabricante do telemóvel confirmou que não teve qualquer envolvimento no processo de aprovação da agência espacial, mas destacou que esta é a primeira vez que um dos seus dispositivos foi qualificado para uso prolongado fora da Terra. Embora a marca realize os seus próprios testes de durabilidade contra quedas e temperaturas extremas, a avaliação para ambientes sem gravidade ficou inteiramente a cargo da entidade governamental.
Durante a viagem, os dispositivos não terão um papel crítico nas operações da nave. Em vez disso, serão utilizados pelos astronautas para documentar a experiência e captar momentos relevantes da missão. O uso está também bastante limitado, uma vez que não será permitida a ligação à internet ou o uso de Bluetooth enquanto estiverem no espaço. No passado, já outros smartphones tinham chegado à órbita terrestre, mas sobretudo através de operações privadas, como foi o caso da missão Inspiration4 em 2021, ou em experiências limitadas durante a última viagem do vaivém espacial em 2011.












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