
A agência espacial norte-americana concluiu com êxito a manobra crítica que inseriu a missão tripulada Artemis II na sua trajetória final em direção à Lua. Apesar de alguns contratempos técnicos de menor dimensão registados nas fases iniciais, a nave Orion segue agora o seu percurso sem anomalias que comprometam a viagem histórica.
Durante os primeiros momentos da operação da cápsula, a NASA registou uma breve falha nas comunicações e a necessidade de pequenos ajustes. No entanto, a situação foi prontamente resolvida pelas equipas de controlo. Howard Hu, responsável pelo programa Orion, garantiu em conferência de imprensa que os problemas encontrados ao longo do caminho não representam qualquer motivo de alarme para o desenrolar da exploração.
A injeção translunar e o percurso histórico da Orion
O momento decisivo da viagem consistiu na injeção translunar, uma operação com a duração de cinco minutos e 52 segundos executada na perfeição a partir do centro de controlo em Houston, nos Estados Unidos. Esta queima de motor final gerou a força necessária para retirar a cápsula da órbita terrestre, entregando a propulsão às leis da mecânica orbital. O trajeto até à Lua deverá demorar entre três a quatro dias.
Os quatro tripulantes encontram-se de boa saúde e aproveitaram o primeiro dia no espaço para efetuar testes vitais e manobras em órbita aos sistemas da nave. Esta é a primeira vez que a cápsula transporta humanos, servindo o momento para recolher informações diárias cruciais sobre a operação do veículo num ambiente espacial real. Lançada a partir do Centro Espacial Kennedy através do poderoso foguetão SLS, a missão assinala o primeiro voo tripulado em redor da Lua em mais de 50 anos.
A bordo seguem Christina Koch, a primeira mulher a integrar uma missão lunar, Victor Glover, o primeiro homem negro com o mesmo destino, e o canadiano Jeremy Hansen da agência parceira. Ao contornarem o lado oculto do satélite natural, a mais de 400 mil quilómetros de distância do nosso planeta, a equipa prepara-se para ultrapassar o recorde estabelecido pela icónica missão Apollo 13, tornando-se nos seres humanos que viajaram mais longe da Terra.
O regresso seguro e os planos para a alunagem em 2028
A trajetória definida para a Orion é de retorno livre. Isto garante que, após ser atraída pela gravidade lunar, a nave seja naturalmente redirecionada de volta para a Terra, numa viagem de regresso que durará mais três ou quatro dias. O culminar da odisseia será a reentrada na atmosfera terrestre, considerada a fase de maior risco de todo o voo, terminando com a amaragem no oceano Pacífico, ao largo da costa da Califórnia.
Os dados recolhidos durante este percurso são essenciais para assegurar a fiabilidade da nave antes de a agência avançar para a alunagem prevista para 2028, enquadrada na missão Artemis IV. O local de aterragem será o Polo Sul da Lua, uma região nunca antes visitada pela humanidade. Ao contrário da era Apollo, estes esforços contam com fortes parcerias internacionais europeias e colaborações com o setor privado, incluindo a SpaceX de Elon Musk e a Blue Origin de Jeff Bezos, encarregues do desenvolvimento dos módulos de descida lunar.












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