
A agência espacial norte-americana está a restruturar a sua abordagem para o programa Artemis, abandonando a ideia de uma estação orbital em prol de uma base fixa na superfície da Lua. Em paralelo, o mundo da astronomia foi surpreendido pela primeira observação de um cometa a inverter a sua rotação e por novas imagens detalhadas da atmosfera de Saturno.
Segundo os dados revelados oficialmente pela NASA e pelo estudo publicado no The Astronomical Journal, as próximas missões espaciais vão trazer mudanças drásticas. O plano da NASA passa agora por um investimento maciço na presença humana contínua no nosso satélite natural.
Fim da estação orbital e foco na superfície lunar
Com a janela de lançamento da primeira missão tripulada do programa Artemis a abrir já no dia 1 de abril, as prioridades sofreram alterações. O projeto Gateway, que previa a construção de uma estação a orbitar a Lua com colaboração internacional, foi oficialmente colocado em pausa. Este programa já estava na linha de cortes do orçamento proposto pela administração Trump, e a agência decidiu agora redirecionar os esforços para uma base lunar avaliada em 20 mil milhões de dólares.
Jared Isaacman, o administrador da agência espacial, confirmou durante o evento Ignition que o objetivo é regressar à Lua antes do final do mandato do Presidente Trump. A ideia é estabelecer uma presença duradoura que assegure a liderança americana no espaço. O planeamento divide-se em três fases: primeiro, o envio de rovers através do programa CLPS; depois, a criação de infraestruturas semi-habitáveis com astronautas no terreno; e, por fim, a instalação de infraestruturas pesadas. Esta última fase conta com o apoio da Agência Espacial Italiana e da Agência Espacial Canadiana, com o intuito de realizar aterragens tripuladas a cada seis meses após a missão Artemis V, agendada para 2028.
O cometa que decidiu girar ao contrário
Longe da órbita lunar, os astrónomos depararam-se com um fenómeno inédito. O cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák foi apanhado a inverter o seu sentido de rotação. As observações, espaçadas por vários meses durante o ano de 2017, mostraram que o corpo celeste começou a abrandar após uma passagem próxima pelo Sol, acelerando novamente no final desse ano.
De acordo com David Jewitt, investigador da Universidade da Califórnia em Los Angeles, o calor solar fez com que o gelo do cometa sublimasse. Os gases expelidos funcionaram como pequenos propulsores que, por estarem distribuídos de forma irregular, alteraram drasticamente a rotação. O período de rotação desceu de cerca de 46 a 60 horas para apenas 14 horas, uma mudança observada pelo telescópio Hubble. Como o cometa parece estar a perder a sua estabilidade estrutural devido a estas alterações bruscas, os cientistas acreditam que este núcleo poderá acabar por se autodestruir rapidamente.
Um novo olhar sobre Saturno
Para terminar as novidades cósmicas, foram também divulgadas imagens deslumbrantes de Saturno, captadas em 2024. Este trabalho conjunto entre várias agências espaciais utilizou os telescópios espaciais para captar com detalhe a atmosfera agitada do planeta dos anéis. As fotografias revelam tempestades, nuvens a várias profundidades e a famosa corrente de jato em forma de fita, oferecendo uma perspetiva renovada sobre a complexidade deste gigante gasoso.












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