
A dependência de gigantes tecnológicas norte-americanas tem os dias contados no governo francês. Segundo avança o XDA, a França decidiu oficialmente abandonar o Windows nos seus computadores estatais em favor de sistemas operativos baseados em Linux, num esforço direcionado para recuperar a sua soberania digital e priorizar as soluções desenvolvidas dentro da União Europeia.
Esta medida a nível nacional surge no seguimento de uma decisão semelhante tomada no ano passado pela cidade francesa de Lyon, que optou por deixar de utilizar os pacotes de software convencionais para abraçar alternativas de código aberto. Durante encontros realizados no início desta semana, várias entidades governamentais francesas concordaram em reduzir ao máximo as dependências digitais de tecnologias provenientes de fora do espaço europeu.
O caminho para a independência tecnológica
Como parte desta nova estratégia, a Direção Interministerial do Digital traçou uma série de passos práticos, com destaque para a transição dos computadores governamentais para sistemas abertos, embora nenhuma distribuição específica tenha sido ainda nomeada. O plano inclui também a migração da sua plataforma de dados de saúde para uma solução considerada de confiança até ao final deste ano.
A transição não se fica apenas pelos sistemas operativos. Cada ministério francês tem agora a tarefa de formalizar o seu próprio plano de migração até ao outono. Esta profunda restruturação deverá abranger equipamentos informáticos, ferramentas de colaboração online, utilitários antivírus, sistemas de gestão de bases de dados, soluções de inteligência artificial e equipamento de rede.
Uma tendência que divide opiniões na Europa
O ministro da Ação Pública e Contas, David Amiel, foi perentório sobre a necessidade desta mudança, afirmando que o Estado não pode continuar simplesmente a aceitar a sua dependência e tem de se libertar. O governante sublinhou a urgência de reduzir a dependência de ferramentas americanas para que o país possa recuperar o controlo do seu destino digital. Amiel destacou que é inaceitável que a infraestrutura, os dados e as decisões estratégicas do país fiquem sujeitos a regras, evoluções e flutuações de preços impostas por soluções que o governo não controla.
Embora seja uma iniciativa de grande envergadura, a França não está sozinha nesta cruzada pela autonomia digital. No ano passado, a Dinamarca anunciou uma política idêntica para afastar os pacotes de software tradicionais das suas infraestruturas estatais. No entanto, o percurso europeu nesta matéria tem conhecido alguns recuos, como foi o caso emblemático da cidade alemã de Munique, que decidiu regressar aos sistemas da concorrência norte-americana após ter passado uma década a utilizar plataformas de código aberto.












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